17 outubro 2010

Crimes com fundo homofóbico

Enquando Dilminha e Serrinha decidem se são contra ou a favor, e o Estado que deveria ser laico desaparece, notícias como essa aparacem aos montes por aí...

Matar gays, um crime que não para de crescer no Brasil

A Gazeta

Brasília
Alçados a tema central da campanha presidencial, o casamento gay, a união civil entre pessoas do mesmo sexo e a criminalização da homofobia têm sido debatidos por Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) a partir do viés religioso e sem levar em conta um dado alarmante: o número de homossexuais assassinados por motivação homofóbica cresce a cada ano.

Em 2009, 198 foram mortos no Brasil. Onze a mais que em 2008, e 76 a mais do que em 2007, um aumento de 62%. Os dados são do Grupo Gay da Bahia (GGB), fundado em 1980 e o único no país a reunir as estatísticas.

Segundo o GGB, de 1980 a 2009 foram documentados 3.196 homicídios, média de 110 por ano. "Infelizmente, a homofobia é um aspecto cultural da sociedade brasileira, que empurra os homossexuais para a clandestinidade, fazendo com que permaneçam à margem mesmo quando são mortos. Gays, lésbicas e travestis são Matar gays, um crime que não para de crescer no Brasil
A Gazeta
Brasília

Alçados a tema central da campanha presidencial, o casamento gay, a união civil entre pessoas do mesmo sexo e a criminalização da homofobia têm sido debatidos por Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) a partir do viés religioso e sem levar em conta um dado alarmante: o número de homossexuais assassinados por motivação homofóbica cresce a cada ano.

Em 2009, 198 foram mortos no Brasil. Onze a mais que em 2008, e 76 a mais do que em 2007, um aumento de 62%. Os dados são do Grupo Gay da Bahia (GGB), fundado em 1980 e o único no país a reunir as estatísticas.

Segundo o GGB, de 1980 a 2009 foram documentados 3.196 homicídios, média de 110 por ano. "Infelizmente, a homofobia é um aspecto cultural da sociedade brasileira, que empurra os homossexuais para a clandestinidade, fazendo com que permaneçam à margem mesmo quando são mortos. Gays, lésbicas e travestis são são mortos de forma cruel, geralmente tendo o rosto desfigurado, e acabam sendo considerados culpados. Só os crimes muito hediondos comovem", diz Marcelo Cerqueira, presidente do GGB.

Antropólogo e ex-presidente do GGB, Luiz Mott lembra que há subnotificação de dados, mas que ainda assim é possível afirmar que o número de mortes vem crescendo: "O número tem aumentado na última década. Antes, era um assassinato a cada três dias. Agora, acontece um a cada dois dias".

O Brasil é o país com maior número de assassinatos. Ano passado, no México, por exemplo, foram 35. Segundo Mott, a maioria dos crimes contra LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais) é motivada por "homofobia cultural": "Graças ao machismo e à bronca que muitos homens têm contra gays e travestis, eles matam imbuídos da ideologia de que homossexuais são covardes, têm dinheiro, que os vizinhos não vão se importar, e os juízes vão punir com brandura".

De acordo com pesquisas realizadas nas paradas gays de Rio, São Paulo, Recife, Porto Alegre e Belém, entre 2003 e 2008, pelo Centro Latino-Americano em Sexualidade e Direitos Humanos, o número de homossexuais agredidos e/ou discriminados nessas regiões não é inferior a 59,9%. Em Pernambuco, 70,8% disseram ter sido agredidos. E em São Paulo, 72,1% foram vítimas de algum tipo de discriminação.

Paraná e Bahia são os líderes em homofobia

O fato de não existir lei específica para crimes homofóbicos contribui para a violência. No entanto, vale lembrar que esses números não refletem completamente a realidade. "Sabemos que o silêncio ainda marca as agressões", diz Sérgio Carrara, professor do Instituto de Medicina Social da Uerj. Empatado com a Bahia como Estado mais homofóbico do Brasil, o Paraná registrou, segundo dados do GGB, 25 assassinatos em 2009: 15 travestis, oito gays e duas lésbicas. Os outros quatro Estados mais homofóbicos são São Paulo, Pernambuco, Minas e Alagoas. Presidente da Rede Nacional de Pessoas Trans, a travesti Liza Minelly diz que, entre travestis e transexuais, cerca de 70% já sofreram algum tipo de violência. Ela relata que quase sempre o preconceito afasta as travestis do ensino e dos empregos formais, e muitas vezes as empurra para a prostituição e as drogas.


16 outubro 2010

Pelo bom senso...

Essa carta da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transsexuais eu encontrei no blog do Ancelmo Góis, jornalista, colunista do O Globo.

Tá grande mas vale a leitura!

Contra a insensatez

A AGLBT (Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais) divulgou agora há pouco carta aberta aos candidatos à presidência, botando um freio no furacão de insensatez que jogou a campanha numa blablablá sombrio, que evoca preconceito e outras mazelas.
Vale a leitura:
Carta aberta da ABGLT às candidaturas de Dilma Rousseff e José Serra
Prezada Dilma e prezado Serra,
A  Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais - ABGLT, é uma entidade que congrega 237 organizações da sociedade civil em todos Estados do Brasil. Tem como missão a promoção da cidadania e defesa dos direitos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais, contribuindo para a construção de uma democracia sem quaisquer formas de discriminação, afirmando a livre orientação sexual e identidades de gênero.
Assim sendo, nos dirigimos a ambas as candidaturas à Presidência da República para pedir respeito: respeito à democracia, respeito à cidada nia de todos e de todas, respeito à diversidade sexual, respeito à pluralidade cultural e religiosa.
Respeito aos direitos humanos e, principalmente, respeito à laicidade do Estado, à separação entre religião e esfera pública, e à garantia da divisão dos Poderes, de tal modo que o Executivo não interfira no Legislativo ou Judiciário, e vice-versa, conforme estabelece o artigo 2º da Constituição Federal: "São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário."
Nos últimos dias, temos assistido, perplexos, à instrumentalização de sentimentos religiosos e concepções moralistas na disputa eleitoral.
Não é aceitável que o preconceito, o machismo e a homofobia sejam estimulados por discursos de alguns grupos fundamentalistas e ganhem espaço privilegiado em plena campanha presidencial.
O Estado brasileiro é laico. O avanço da democracia brasileira é que tem nos permitido pautar, nos últimos anos, os direitos civis dos homossexuais e combater a homofobia. Também tem nos permitido realizar a promoção da autonomia das mulheres e combater o machismo, entre os demais avanços alcançados. O progresso não pode parar.
Por isso, causa extrema preocupação constatar a tentativa de utilização da fé de milhões de brasileiros e brasileiras para influir no resultado das eleições presidenciais que vivenciamos. Nos últimos dias, ficou clara a inescrupulosa disposição de determinados grupos conservadores da sociedade a disseminar o ódio na política em nome de supostos valores religiosos. Não podemos aceitar esta tentativa de utilização do medo como orientador de nossos processos políticos. Não podemos aceitar que nosso processo eleitoral seja confundido com uma escolha de posicionamentos religiosos de candidatos e eleitores. Não podemos aceitar que estimulem o ódio entre nosso povo.
O que o movimento LGBT e o movimento de mulheres defendem é apenas e tão somente o respeito à democracia, aos direitos civis, à autonomia individual. Queremos ter o direito à igualdade proclamada pela Constituição Federal, queremos ter nossos direitos civis, queremos o reconhecimento dos nossos direitos humanos. Nossa pauta passa, portanto, entre outras questões, pelo imediato reconhecimento da união estável entre pessoas do mesmo sexo e pela criminalização da discriminação e da violência homofóbica.
Cara Dilma e Caro Serra,
Por favor, voltem a conduzir o debate para o campo das ideias e do confronto programático, sem ataques pessoais, sem alimentar intrigas e boatos.
Nós da ABGLT sabemos que o núcleo das diferenças entre vocês (e entre PT e PSDB) não está na defesa dos direitos da população LGBT ou na visão de que o aborto é um problema de saúde pública.
Candidato Serra: o senhor, como ministro da saúde, implantou uma política progressista de combate à epidemia do HIV/Aids e normatizou o aborto legal no SUS. Aquele governo federal que o senhor integrou também elaborou os Programas Nacionais de Direitos Humanos I e II, que já contemplavam questões dos direitos humanos das pessoas LGBT. Como prefeito e governador, o senhor criou as Coordenadorias da Diversidade Sexual, esteve na Parada LGBT de São Paulo e apoiou diversas iniciativas em favor da população LGBT.
Candidata Dilma: a senhora ajudou a coordenar o governo que mais fez pela população LGBT, que criou o programa Brasil sem Homofobia, e o Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos de LGBT, com diversas ações. A senhora assinou, junto com o presidente Lula, o decreto de Convocação da I Conferência LGBT do mundo. A senhora já disse, inúmeras vezes, que o aborto é uma questão de saúde pública e não uma questão de polícia.
Portanto, candidatos, não maculem suas biografias e trajetórias. Não neguem seu passado de luta contra o obscurantismo.
A ABGLT acredita na democracia, e num país onde caibam todos seus 190 milhões de habitantes e não apenas a parcela que quer impor suas ideias baseadas numa única visão de mundo. Vivemos num país da diversidade e da pluralidade.
É hora de retomar o debate de propostas para políticas de governo e de Estado, que possam contribuir para o avanço da nação brasileira, incluindo a segurança pública, a educação, a saúde, a cultura, o emprego, a distribuição de renda, a economia, o acesso a políticas públicas para todos e todas!
Eleições 2010, segundo turno, em 15 de outubro de 2010.
ABGLT - Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais

Tô prometendo podcast, eu sei. Já escolhi as músicas, só falta mesmo é gravar a voz! Acho que hoje sai.
Beijo pra quem passa por aqui! =)

14 outubro 2010

Cartório

Minha vida está pior do que Cartório Eleitoral: cheio de zona!

Tirando a piada, comecei a editar mais um podcast no feriado, mas aí outros ventos tocaram e eu fui passear e aproveitar o feriado. E não é que aproveitei?

Pois bem, por aqui tudo... bem, não dá pra dizer que está tudo bem porque não está.
Até tá, mas é que sempre faço drama. Tá, nem sempre eu faço drama, mas é que sei lá, as coisas não estão da maneira como eu gostaria que estivessem.

Incertezas no trabalho e minha "Estagiária" com problemas em casa... (Estagiária é "gente nova" que surgiu no pedaço, e tem se mostrado uma grande amiga. já entrou pras "Mulheres da Minha Vida")

E quanto mais eu rezo, mais librianos aparacem na minha vida. Não que eu esteja reclamando, não, não é isso, mas é só um comentário.

O tempo vai passando e algumas coisas vão mudando. É estranho perceber como as coisas e as pessoas mudam.
Bom, acho que por agora é só...

Depois volto com mais...

Beijos!

07 outubro 2010

Laerte

Vi por aí, compartilho aqui.
Essa semana eu acho que rola podcast. Não esqueci do blog não, viu?
Só estou sem tempo mesmo. E acertando a vida, até porque acho que agora posso dizer que estou solteira. Pelo menos até que se prove o contrário ou que milagres aconteçam...


Laerte, para dar uma aliviada no empobrecimento dos debates brasileiros. A propósito: aborto é mesmo uma questão delicada, mas casamento gay não é. Em um caso é a dúvida sobre a definição mesma de ser humano, no outro não resta dúvida de que só os voluntariamente envolvidos são afetados. E ainda vai gerar emprego na indústria de bonequinho de bolo. Nisso ninguém pensa. Malditos.
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