22 setembro 2010

Braile?

Da Folha de SP de ontem:

O amor não é cego

As relações não duram porque a maioria não enxerga o outro como ele é, diz o psicólogo Jorge Bucay

GABRIELA CUPANI
DE SÃO PAULO


Não há receita pronta para um relacionamento dar certo, mas alguns ingredientes podem ajudar. É disso que trata "Amar de Olhos Abertos" (ed. Sextante, R$ 24,90, 208 págs.), do psicólogo Jorge Bucay, um dos escritores argentinos mais incensados dos últimos tempos.
Bucay esteve no Brasil para lançar o livro (o primeiro em português), escrito com a colega Silvia Salinas -e a Folha aproveitou para "discutir as relações" com ele.


Folha - O que significa amar de olhos abertos?
Jorge Bucay - Gosto de uma definição que diz que o amor é a simples alegria pela existência do outro. Não é possessão, nem felicidade necessariamente. E por isso "com os olhos abertos". O amor cego não aceita o outro verdadeiramente como ele é.

Por que tanta gente prefere a intensidade da paixão, mesmo sabendo que é efêmera, a construir algo mais sólido?
É maravilhoso estar apaixonado e muitos preferem a intensidade superficial à profundidade eterna. Mas me pergunto como as pessoas pensam em ficar somente nisso. Qual o sentido de estar apaixonado perdidamente o tempo todo? Penso que é uma questão de maturidade.
Também tem a ver com a nossa sociedade, que adora emoções intensas. Procuramos correr mais rápido, chegar antes, desfrutar intensamente. A paixão é como uma droga: no seu momento fugaz faz pensar que você é feliz e não precisa de mais nada. Um olhar, uma palavra te levam aos melhores lugares.

Como construir uma relação mais profunda?

Seria bom estar preparado para saber que a paixão acaba. Amadurecer significa também desfrutar das coisas que o amor dá, como compartilhar o silêncio e não um beijo, saber que a pessoa está ali, ainda que não esteja ao meu lado. É preciso abrir os olhos, e isso é uma decisão. Ver o par na sua essência.
Mas primeiro é preciso estar bem consigo mesmo. Não se deve procurar o sentido da própria vida no companheiro ou nos filhos.
Você deve responder a três perguntas básicas nesta ordem: quem sou, aonde vou e com quem. É preciso que eu me conheça antes de te conhecer e que decida meu caminho antes de compartilhá-lo. Senão, é o outro quem vai dizer quem eu sou. E isso é uma carga muito grande.

O livro diz que as relações duram o que têm que durar, sejam semanas, seja uma vida
.
Duram enquanto permitem que ambos cresçam. Significa conhecer-se, gostar de si mesmo, conhecer seus recursos e desenvolvê-los. Ao lado da pessoa amada, está a melhor oportunidade para isso. E essa é uma condição para construir um relacionamento. Um casal que não cresce, envelhece. E um casal que envelhece, morre.

O que leva ao fracasso?
Um dos grandes motivos de fracasso é não trocar intensidade por profundidade, viver querendo voltar aos tempos da paixão. Outro ponto de conflito é que as pessoas não conseguem deixar o papel que desempenhavam antes de casar, querem continuar sendo o "filhinho da mamãe", ou o "caçulinha da casa". Outro problema é a intolerância, a incapacidade de aceitar as diferenças, as pessoas discutem pelo dinheiro, pela criação dos filhos e, por fim, morrem sufocadas pela rotina.

E como enfrentar esses problemas ou desafios?
É preciso amor, atração e confiança. Comparo esses pilares a uma mesa de três pés. O tampo da mesa seria um projeto comum firme. Se faltar qualquer um desses elementos, a mesa cai. E sobre tudo isso deve-se montar outras coisas, como a capacidade de trabalhar juntos, de rir das mesmas coisas, de ser sexualmente compatíveis, sentir o outro como um apoio nos momentos difíceis. Às vezes a terapia ajuda, às vezes é um bom passaporte para a separação.

Como saber quando a relação chegou ao fim?

Se sinto que estou sempre no mesmo lugar, que me entedio, que não tenho vontade de estar com o outro, se sempre que saímos precisamos sair com outros casais pois não ficamos bem sozinhos, quando piadas como "o idiota do meu marido" ou a "bruxa da minha mulher" se tornam frequentes, algo não está funcionado.

7 já falaram

Renata J disse...

Muito interessante a dica de literatura. Pena que as pessoas têm vivido somente pelo amor cego e quem vive pelo amor não cego, como eu, acaba sendo trocada com frequencia.

Anônimo disse...

É a realidade dura e crua, né? Bem por aí mesmo, mas a teoria na prática é quase zero...rs.
Conheço pessoas que não vivem sem paixão e desconhecem o amor, não sabem o que estão perdendo! O querer estar junto com o outro em qq situação diz tudo!

Abração
Lua

Anônimo disse...

É a realidade dura e crua, né? Bem por aí mesmo, mas a teoria na prática é quase zero...rs.
Conheço pessoas que não vivem sem paixão e desconhecem o amor, não sabem o que estão perdendo! O querer estar junto com o outro em qq situação diz tudo!

Abração
Lua

L.i.h Scuissati disse...

Olá, sou nova por aqui (e acho que não preciso dizer que adorei seu blog ^^)

Sobre o post, achei muito interessante e, de certa forma, precisava ler essa entrevista... Fiquei bem interessada no livro, pois meu relacionamento não anda lá muito bem das pernas...

bjos ^^

Dalyn disse...

Hm
Relações são bastante complicadas, acho que nunca tive uma que durou muito.

Anônimo disse...

Bah moça!!!Que bom que voltou ^^

Conheci teu blog a pouco,li todos os posts e sempre que posso dou uma passada por aqui...

Fiquei pensando em como deve ser estar apaixonada,ou amando....ja que nunca senti nenhum dos dois.As vezes acho que é melhor assim,relacionamentos são complicados,e as vezes acho que não estou preparada.Sei que as coisas não são simples,muito menos como um conto de fadas....
O amor cego,não é real...é simples ilusão e talvez por estar sempre com os pés no chão e de olhos bem abertos que eu não viva de amor....o que é meio ruim é claro....mas é pura defesa....


Caroline - Porto Alegre/RS

Alice disse...

Muito boa a entrevista, concordo com ele: muita gente cria uma ilusão do parceiro e depois se decepciona quando essa idealização não se torna realidade.

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