19 julho 2010

Casamento gay

Editorial da Folha de SP hoje, comentando o avanço dos Argentinos em relação ao tema. Concordo em muita coisa, principalmente quando afirma que apesar do Brasil ser um país "muito mais liberal" só de pensar em "união cívil estável" ou coisas do tipo por aqui é praticamente um crime.

Acho importante que um veículo do porte do da Folha saia em defesa, de forma que nos faça refletir e nos livrarmos de um preconceito arraigado e mascarado que existe em toda parte.

Segue o editorial:
Não foi das mais tranquilas a aprovação, pelo Senado argentino, da mudança no Código Civil que autoriza a realização do casamento entre homossexuais. Um dia antes da votação, estimava-se informalmente que 31 senadores defenderiam a medida, contra igual número de refratários à inovação. O resultado, após 14 horas de debate, foi de 33 votos a favor, 27 contra e três abstenções.
Manifestações de apoio e de repúdio se alternaram em Buenos Aires; o debate ganhou notas enfáticas quando o arcebispo da capital, cardeal Jorge Bergoglio, advertiu que não estava em jogo "um mero projeto legislativo, e sim uma jogada do Pai da Mentira para confundir e enganar os filhos de Deus". Ao que a presidente Cristina Kirchner reagiu, dizendo que a frase "lembrava realmente os tempos da Inquisição".
De uma perspectiva leiga, parecem sem dúvida exageradas as reações a um ordenamento de relações humanas que se localiza estritamente na ordem da vida privada, e que busca apenas no reconhecimento por parte do Estado, e não de uma instituição religiosa, a solução para uma série de problemas. Questões de herança e planos de saúde, por exemplo, afetam o cotidiano de uma parcela ainda sujeita a formas odiosas de discriminação. Menos do que se contrapor ao casamento gay, parece ser na verdade contra o próprio homossexualismo que se insurgem os mais exaltados.
A Argentina consegue superar, assim, uma forma de discriminação, ou no mínimo um tabu, que ainda persiste em muitos países democráticos. Entre eles, como se sabe, o Brasil -onde nem sequer a ideia de uma união civil homossexual consegue vencer os temores e o conformismo da maioria das lideranças políticas.
Curiosamente, países onde se imagina ser mais forte do que aqui a influência do clero -como Portugal, Espanha e a própria Argentina- foram mais rápidos em aprovar o casamento homossexual do que uma nação supostamente liberal em termos de costumes, como o Brasil.
O elogio da informalidade, a indiferença pelas formas jurídicas, tantas vezes presentes nos discursos apologéticos sobre o país, esconde aqui um lastro de timidez e subserviência ao preconceito que cobra, de muitos casais de homens e mulheres, o preço de dificuldades na vida prática e de uma semiclandestinidade no mundo legal sem nenhuma justificativa, exceto o obscurantismo religioso.

4 já falaram

Títi disse...

muito legal partilhar isso gata! bjos

Clara e Flávia disse...

Vai lá Brasil...
Se não existir casamento no Brasil, eu e minha namorada já estamos de malas prontas!
Me parece que Argentina es mejor...
Bjs menina.
Visite-nos:
http://www.segredosdeumalesbica.blogspot.com

Drika disse...

Muito legal compartilhar!

Drikamac.blogspot.com

Alice disse...

O Brasil ainda está na Idade Média, lamentável.

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