20 maio 2010

Selfish

Às vezes eu só queria que você deixasse de ser tão egoísta, sabe?
Não foi só você que sofreu. Não é só você que está machucada, não é só você que quer ter suas vontades atendidas.

Ser egoísta é diferente de não ter um pingo sequer de empatia. E empatia é conseguir colocar-se no lugar do outro, exercício que você deveria fazer de vez em quando.

Eu me machuquei. Me machuquei e fiquei calada durante muito tempo, calei-me pois tinha medo que meus machucados te ferissem também. E fui guardando, mágoa sobre mágoa, dia após dia.

Fui tendo cada uma das minhas fucking expectativas frustradas. E você nem sequer se importou. Eu dizia, e era bem clara, o que me machucava e você nunca se importou, nunca mudou tuas atitudes. E fui guardando. Guardando suas ausências, guardando dentro de mim a ausência de palavras, de carinhos. Querendo acreditar no pouco que você me dizia.

Quando explodi, soltei impropérios, machuquei eu sei, peguei pesado, fui desleal, fui nos pontos que eu julgo fracos. Eu sentia tanta dor, dor por conta das mentiras, dor pela falta de confiança, pela falta de tentativas, pelo descaso, estava tão mal que agi feito animal selvagem que não mede reações, atos, que age por instinto, e por instinto sou uma pessoa direta, grossa, rude. Um tigre. Um tigre que você havia domado. Só que você esqueceu da natureza selvagem do tigre e foi maltratando, descuidando. Revoltei-me.

Não suporto mentiras. Você me credita como cafajeste, mulherenga, conquistadora, talvez... Talvez eu seja mesmo isso, só que nunca escondi isso da mesma forma nunca escondi o quanto era completamente apaixonada por você, da mesma forma como todo mundo - inclua-se aqui também - sabia que eu poderia até estar sempre rodeada de pessoas, mas era contigo que eu fazia meus planos, contigo que eu tinha meus desejos, que era pra você a quem eu tinha entregado a merda do meu coração novamente.

Eu te disse uma vez que você era a fisioterapeuta do meu coração. Que eu tinha me desacostumado a amar e que estava aprendendo novamente aos poucos. Aprendendo a demonstrar o que sinto.

A sensação que tenho é que pra você nada do que eu fiz teve valor.
Nada do que eu faço tem valor.

E no final das contas é a mim que você recorre quando quer chorar. E eu nunca virei as costas. Nem vou virar. Eu me importo. Eu demonstro isso. E se você duvida tento provar o contrário. E você, o que você faz?

Você se irrita quando eu digo que pra você não faz diferença, diz que eu não sei de nada. Ok, posso não saber, mas o que você faz para que eu pense o contrário? Qual atitude ou palavra que você dá para que eu não pense assim?

Não que você tenha que provar alguém pra alguém, não, não é isso... É que eu simplesmente fico chateada com tanta briguinha boba.

Você teve durante um bom tempo uma mulher disposta a te fazer a guria mais feliz do mundo. Porque eu faria qualquer coisa pra te ver feliz, você sabe bem como eu gosto do teu sorriso, você sabe, sabe porque eu sempre te disse...

Fiz tanta coisa... De recados bobos, de mensagens no celular, idas e vindas, ligações, contas, esforços, e você?

O que você faz hoje? O que você sente hoje?
Realmente, você tem razão quando diz que eu não te conheço. O problema é que você não me deixa te conhecer e briga comigo por isso.

Não tenho bola de cristal. Não sei da tua vida. Não sei com quem você fala ou deixa de falar. Não sei com quem você se envolve. E vou continuar ignorante perante tais coisas...

Só que eu tô cansando de ter meus erros jogados na minha cara enquanto você se esquece dos erros que você também cometeu. Cansei de ficar disputando quem errou mais. Cansei de ficar lembrando de um passado de brigas tolas...

E por mais que eu esteja machucada, eu te escuto... Eu sempre escuto tuas histórias pela metade, tuas palavras pela metade, teus sentimentos pela metade.

Posso ser um monstro ao tocar nas tuas feridas, mas lembre-se: também sei cuidar delas.

E de mim, quem cuida?

18 maio 2010

Sobre meu "outing" e outras coisas mais...

Ai que eu resolvi escrever, né?
Por aqui posso dizer que a vida anda do mesmo jeito de sempre: trabalho e algumas saídas com amigos.
Falando em trabalho descobri que uma guria de lá, chata e gorda, fez questão de fazer meu “outing” dia desses. O pior? Eu não estava lá pra questionar ou pra dizer um “a” que fosse.
Poxa precisava dizer que curto meninas no meu ambiente de trabalho? O que isso muda? Muda algo?
Além de ter contando pras meninas de lá, a safada ainda é homofóbica, porque né... se não fosse não teria aberto a boca.
Por conta disso estou criando uma birra cada dia maior. Birra que se reflete em palavras atravessadas e olhares repletos de cinismo.

Se não fosse ela, minha vida seria tão mais fácil, mas tudo bem, tirando isso estou curtindo fazer o que faço, até estou me acostumando com o horário maluco.
Enquanto isso, na sala da(de?) justiça, eu fico tentando domar meu coração. O filho da mãe insiste em bater um pouco mais forte quando recebe um pouco de carinho de um certo alguém. Pode ser o mínimo, mas é o suficiente pra me deixar boba. E definitivamente: não gosto muito da ideia, por mais que eu me sinta bem...
Sabe quando você queria acreditar em palavras, ações e outras coisas mais, mas simplesmente não consegue? Então...

Ando cantando muito uma música do Nenhum de Nós, música que diz bem o que eu Não Entendo. E ando chorando toda vez que escuto “Você vai lembrar de mim”.
Aliás uma das coisas que mais tenho feito é chorar, seja aquela lágrima, única, que escorre sem querer, seja aquele choro doído. Não tem motivo ao certo, às vezes é por escutar uma música, outras por reler ou receber uma sms. Tem vezes que é assistindo TV e tem também vezes que me dou conta de que muita coisa mudou e que muito mais coisas não têm mais volta.
Num modo geral estou bem, estou consciente. Acho que isso faz todo o resto valer a pena.
E de certa forma acho até que tenho me arriscado. Só ando com medo de me machucar de novo, afinal eu sei que se eu cair de novo, o tombo vai ser bem pior que todos os anteriores. Acho que isso explica o choro não contido.
E sigo com perguntas. Muitas delas.

14 maio 2010

Um pouco de informação

Uma das coisas que mais tenho curtido no trabalho novo é o acesso a informação.
Ler mais de 10 jornais por dia é algo um tanto quanto gratificante. E no meio de tanta notícia, tantos artigos sempre surgem coisas que eu gostaria de compartilhar com vocês. Uma dessas coisas é esse artigo do Contardo Calligaris, publicado na Folha de SP de ontem.

O Contardo, pra quem não sabe, é italiano, é psicanalista e conforme consta na wikipedia Doutor em Psicologia Clínica pela Universida da Provença, na França. Particularmente eu gosto dos textos dele.


Adoção por casais homossexuais

Condição básica de uma boa educação: o pai não pode querer que o filho seja um clone seu


NA SEMANA retrasada, por unanimidade, o Superior Tribunal de Justiça reconheceu que casais homossexuais têm o direito de adotar.
Claro, duas mulheres ou dois homens já podiam criar juntos uma criança adotada por um dos membros do casal. Agora, eles poderão compartilhar legalmente a responsabilidade da adoção.
O ministro João Otávio de Noronha declarou que a decisão do tribunal foi guiada pelo princípio de atender ao interesse do menor. No debate a favor ou contra a adoção de crianças por casais homossexuais, todos afirmam, aliás, opinar e agir no interesse dos menores.
A primeira questão nesse debate, portanto, é a seguinte: crianças criadas e educadas por um casal homossexual (feminino ou masculino) sofrem de dificuldades específicas?
Seu desenvolvimento afetivo, intelectual e sexual é diferente do das crianças de casais heterossexuais?
Como disse, faz décadas que, mundo afora, casais homossexuais já criam filhos, naturais e adotivos. E faz décadas que psicólogos, médicos e assistentes sociais pesquisam esses casais e seus rebentos.
O resultado é inequívoco e aparece num documento de 2007, endereçado à Corte Suprema da Califórnia pela American Psychological Association, a American Psychiatric Association e a National Association of Social Workers, ou seja, pelas três grandes associações dos profissionais da saúde mental dos Estados Unidos (psicólogos, psiquiatras e assistentes sociais).
Esse texto, de 72 páginas, apresentando uma ampla bibliografia de pesquisas, afirma que "homens gay e lésbicas formam relações estáveis e com compromisso recíproco, que são essencialmente equivalentes a relações heterossexuais" (III, A), e que "não existe base científica para concluir que pais homossexuais sejam, em qualquer medida, menos preparados ou capazes do que pais heterossexuais ou que as crianças de pais homossexuais sejam, em qualquer medida, menos psicologicamente saudáveis ou menos bem adaptadas" (IV, B).
Ora, tramitam na Câmara dos Deputados dois projetos contra a decisão do Superior Tribunal de Justiça, um do deputado evangélico Zequinha Marinho (PSC-PA) e outro do deputado Olavo Calheiros (PMDB-AL). Visto que não dá mais para dizer que pais homossexuais sejam nocivos para suas crianças, os projetos se preocupam com o constrangimento das crianças diante dos colegas. Na escola, vão zombar de filho de homossexual. Para evitar esse vexame, melhor proibir a adoção por casais homossexuais.
Pois é, na mesma escola, também vão zombar de negros e de pobres.
Vamos impedir negro e pobre de ter filhos? O cômico é que, no Brasil, o filho de homossexual pode ser objeto de zombaria, mas essa zombaria não se compara com o que pode acontecer com filho de deputado.
Esperando que a reputação da classe política melhore e sentindo sinceramente pelos deputados honestos, no espírito dos projetos Marinho e Calheiros, acho bom proibir também a adoção de crianças por deputados federais e estaduais.
Brincadeira à parte, na nossa cultura, a condição básica de uma educação que não seja demasiado danosa é: os pais não devem querer que os filhos sejam seus clones.
Quando desejamos que nossos filhos sejam a cópia da gente, é para encarregá-los de compensar nossas frustrações: quero um filho igual a mim para que tenha o sucesso que eu não tive ou para que viva segundo regras que eu proclamo, mas nunca consegui observar. Pois bem, para criar e educar no interesse dos menores, é necessário fazer o luto dessas esperanças, que tornam as crianças escravas de nossos devaneios narcisistas.
Agora, a percentagem de homossexuais entre os filhos de casais homossexuais é igual à da média da população, se não menor. Ou seja, aparentemente, os homossexuais não têm a ambição de ver seus filhos se engajar na mesma "preferência" sexual que lhes coube na vida.
Em compensação, quem gosta mesmo de filho-clone são todos os fundamentalistas. É quase uma definição, aliás: fundamentalista é quem quer filhos tão fundamentalistas quanto ele.
Uma conclusão coerente seria: o interesse das crianças permite que elas sejam adotadas (e, portanto, criadas e educadas) por pais homossexuais e pede que a adoção seja proibida aos pais fundamentalistas evangélicos, por exemplo.
Serviço. Para ler o documento de 2007, acesse tinyurl.com/docpsi

04 maio 2010

Noite sem sono, trabalho a fazer

Tá, que eu deveria estar trabalhando, classificando veículos de comunicação conforme sua relevância, mas tô aqui, perdida entre os meus pensamentos desde ontem a noite. Desde sábado pra falar a verdade. Tô aqui, querendo saber qual a minha relevância, qual a sua relevância, qual a relevância de tudo o que vem acontecendo.

Eu sei que não dá pra voltar no passado e arrumar tudo, mas poxa, precisava ser tudo tão ruim assim?

Precisava?
Que saco.
Não é tristeza. É só inconformação. Não me conformo. Não me conformo mas também perdi a vontade de mudar o mundo, mudar o meu mundo. Eu já fiz isso uma vez, não vou fazer de novo. Uma vez eu fiz todas as loucuras por um amor, eu sei que é errado deixar de agir, desistir, e acabar descontando traumas passados em momentos e pessoas novas, mas eu não tenho pique, não tenho mais, entende?

Eu poderia ser a melhor pessoa do mundo.
Mas não fui. Não culpo ninguém por isso, não tem como culpar.
Erros acontecem.

Você me perguntou por que estou assim. Será que você não percebeu que é mágoa?
Cara, é mágoa e pura mágoa. É um sentimento de incompetência por tudo ter dado errado. Por eu ter me machucado tanto, outra vez. É um puta dum machucado que eu tento esconder todos os dias.

Aí encontro o celular. E com ele todas as mensagens dos meu melhores momentos com a pessoa que você foi um dia. Porque você não é mais mesma, porque eu não te conheço mais, porque isso que você se tornou dói em mim também. É como se eu tivesse criado um monstro. Uma espécie de Alice, completamente perdida.

"“Você poderia me dizer, por
favor, qual o caminho para sair daqui?”
“Depende muito de onde você quer chegar”, disse o Gato.
“Não me importa muito onde...” foi dizendo Alice.
“Nesse caso não faz diferença por qual caminho você vá”,
disse o Gato."

O que não faz diferença é indiferente. E indiferença dói mais que muita coisa.
Quando acho que estou seguindo em frente, que deixei grande parte do que sinto pra trás, eis que algo acontece, eis que lembram que eu existo. E eu não entendo. Porque seu silêncio me ofende. Durante muito tempo ele me ofendeu. E depois de tantas ofensas: diálogo. Ou tentativa de.

Dois estranhos. Duas pessoas alheias ao universo uma da outra.
No que foi que a gente se transformou?

Você em reclamações, eu, em mágoas - é isso mesmo?
É assim que vai ser? É assim que a gente vai deixar acontecer?

Eu não sei. E não saber me deixa aflita, me tira o sono.
Não quero chegar em qualquer lugar. Eu tenho metas bem definidas.
E sei o que eu não quero pra mim.

Egoísta que sou, ando calando antes de falar dos sentimentos.
Você não sabe de muita coisa. Nunca se interessou em saber.
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