11 março 2010

Sobre ciclos

A vida é estranha...
Acordei mais pensativa que o comum hoje.
Vou escrever pra desabafar porque senão eu vou pirar de novo.

Cai da cama. 6h30 eu já estava bem desperta, o que realmente não é comum.
Resolvi ir pra cozinha e adiantar o almoço, pelo menos assim meu pai para de pegar no meu pé, uma vez que não estou trabalhando. (E não estar trabalhando faz com que eu lembre o porque de ter perdido meu emprego: duas faltas não justificadas pra fazer loucuras na capital, é... eu nunca disse, mas foi isso que pesou).

Comecei a preparar o almoço e todo o enjoo veio numa forte onda. Corri para o banheiro e tentei me desfazer de tudo o que sinto. Espasmos, água e bílis. Só isso que saiu.

Dona José ainda não havia ido trabalhar e veio perguntar se estava tudo bem. Não, não está, respondi mentalmente. Eu quero ficar sozinha. Quer dizer, eu não quero. Eu quero colo, entende? Quero deitar e esperar tudo isso passar.

Minha vida parece feita de ciclos. E dessa vez foi tudo mais intenso, muita coisa num curto espaço de tempo. Nessas horas queria não me conhecer tão bem. Tenho medo de voltar a pensar e tentar covardias, tenho medo de me machucar ainda mais, como já fiz. Estou me policiando, é fato. Mas eu não sei lidar com a dor. Não é de hoje. Acho que por isso eu sempre banco a fortona, fria, imbatível: porque se eu sentir dor eu desmonto.

E eu to vendo que eu estou desmontando de novo. Da outra vez a Baiana ajudou muito, eram horas de skype, onde apenas me ouvia chorar, o que já aliviava um pouco.

Mas agora eu cresci um pouco e espero mais. E de certa forma, espero menos. Não quero ser um encosto pros meus amigos. Não quero ser um fardo a ser carregado... Não quero preocupar. É tão incomum (desculpa, não ando achando as palavras certas) que eu não queira causar problemas mas eu preciso de cuidados. Cuidados urgentes pra não me afogar num mar negro novamente.

O dia hoje está terrível. Minha mãe não colabora nem um pouco. Ela sabe que eu não estou bem. E eu estou com tanto ódio de mim que é capaz que eu desconte nela... Tem toda uma onda de sentimentos ruins reprimidos a muito tempo. Bem mais tempo do que eu posso suportar.

Juro que se eu estivesse trabalhando eu ia voltar pra terapia.
Eu estou sem entender nada. Acho que por isso estou escrevendo.

Até quando esses ciclos vão durar?
É sempre assim: me apaixonar, conquistar, ter momentos felizes, achar que estou no paraíso, errar, errarem comigo, perdão, começar a perder a fé, briguinhas bobas, mágoas bobas, frustrações, tentativas de fazer dar certo, mais brigas, e agora isso... essa tristeza imbecil. Não necessariamente na ordem...

Qual foi o meu erro? Onde foi que tudo começou a dar errado de novo?
Será que eu fui tão idiota assim de novo?

E sinto raiva.
Muita raiva. De mim, do mundo, dela.
Tudo de novo. E meu estômago embrulha mais uma vez...

Papai está chamando pra sair, espero que não fale demais, meu humor hoje está ácido.
Estou segurando as palavras dentro da boca pra não ofender ninguém sem motivos. Estou me segurando não fazer do ataque minha melhor defesa.

5 já falaram

Eyre's disse...

*duas horas pensando em oq escrever*


moro longe, mas se precisar de um abraço ;)

Sofia, disse...

É coisa de ariana ser durona e não poder sentir dor? Eu sou assim. Bem, tive uma fase assim, de duas semanas. E meu estômago também embrulhava diariamente. Sabe de uma coisa, que li uma vez? Os amigos também são amantes. Procure por eles, e é bom também pra saber quem é amigo mesmo. Se ame, acima de tudo.

dany disse...

ei, eu ja passei por esse ciclo...
e sabe o que o melhor a se fazer?
é tentar nao se lembrar e ir viver... ir pra novos lugares, conhecer pessoas novas, pq por ai tem aos milhares de pessoas interessantes prontas pra serem achadas...
eu sei o quanto é dificil ter animo pra sair e fazer alguma coisa quando a gente ta assim meio pra baixo, mas o esforço compensa!

Anônimo disse...

Definitivamente, você não está só. Tudo embrulha o estômago nessas horas e a voz de alguém falando quando vc está em outro mundo é irritante. Estou exatamente assim. Mas não vá por esse caminho de perguntar o que vc fez de errado. Não há nada que possamos fazer. Pode acreditar: você pode ser maravilhosa e ser deixada por ser maravilhosa; pode ser chata, ranzinza, carinhosa ou sapeca. Um dia elas decidem ir. O motivo pode ser qualquer coisa. Mas se ela sentir sua falta tb vai voltar: em uma semana, um mês ou 1 ano. Só não se entregue assim. Ela precisa ver vc bem pra te querer novamente.
Não sei... é só um jeito de pensar. Posso estar completamente errada.
bjos
Lu

manicomiomundo disse...

Juro que me identifiquei com a parte de ser durona.

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