09 fevereiro 2010

Querido Diário: A outra balada na mesma sexta

Era minha primeira vez lá, a casa era nova.
E confesso que não estava lá muito interessada.

Cheguei dei um "oi" pro pessoal da banda, que por acaso são amigas minhas.
Fui em direção a pista e a casa lotada. Na maioria homens...
Meu amigo continuou conversando com os novos amigos... Dancei um pouco, fui até o bar pedi uma cerveja. Voltei pra pista, mas a bolsa começou a me incomodar.

Resolvi ir até a chapelaria, me livrar do peso pra poder me soltar mais na pista. Não que isso signifique que eu dance MUITO ou que dance BEM, eu gosto de me soltar. Só isso.

Melhor coisa que eu fiz foi ir até a chapelaria. Imagine a cena: Eu entro de cabeça baixa, procurando minha comanda e encosto no balcão, quando ergo a cabeça vejo a atendente. "Pouco" bonita. Numa boa? O primeiro pensamento que veio a cabeça foi "não quero nem voltar pra pista".

Morena, sobrancelha bem desenhada, aparentemente mais nova, sorriso iluminado pelo metal do aparelho ortodôntico. Cabelos longos, presos num rabo-de-cavalo.

E aí entra minha teoria: Pessoas bonitas são bonitas até mesmo quando estão de tênis, calça jeans e uma blusinha simples. Era o caso da moça da chapelaria.

Resolvi puxar assunto e ficar ali batendo papo. Perguntei se ela também era "do babado" porque não é porque trabalha na balada que também se encaixa na sigla LGBTT.

E ficamos conversando. Eu disse que ia ficar enchendo o saco dela a noite toda e ela sorriu. Perguntei se ela tomava muitas cantadas, como era trabalhar na "night", o papo chegou no ponto relacionamentos, eu disse que tinha acabado de terminar um namoro e que era a primeira vez que estava saindo, ela estava enrolada com duas. Sim, Brasil, ela estava ficando com duas gurias, uma sabia da outra, inclusive.

Ai o papo ficou nisso por um tempo. Como administrar duas mulheres. Se uma já é difícil... Pra quem tem duas, somar mais uma não quer dizer nada. Arrisquei e falei que achava que 3 era o número da sorte dela. Cantada mais furada? Impossível.

Me perguntaram se eu estava procurando dor de cabeça, fui sincera: "Não estou pedindo ninguém em casamento". Nova risada.

Resolvi procurar meus amigos. Achei. E achei também a Loira do outro bar.
"Tá me seguindo né?" foi a única coisa que consegui dizer em meio as outras pessoas que dançavam na pista.

Quando consegui escapulir, achei meu amigo, que queria ir embora. Passei de novo na chapelaria. E fui direta: "Você não me dar um fora não? Tô aqui enchendo seu saco e você nem me manda embora..." Nisso mais gente resolveu ir embora e passar na chapelaria, sai um pouco, porque o lugar era apertado. Nisso um dos clientes saiu e disse que a "Chapeleira" não poderia fazer nada ali, pois estava trabalhando.

______________________________________
continua...


Quem me segue no Twitter já sabe que voltei a namorar. Depois de uma conversa, aliás depois de várias conversas pelo msn/skype, que culminaram num papo "cara a cara", ela pediu com jeitinho (e uma dose de pressão psicológica) e essa que vos fala aceitou.

Se estou certa ou errada só o tempo vai dizer.
Pra alguns deveria ter deixado quieto e partido pra outra. Pra outros fiz certo em ouvir meu coração. E é justamente isso que me deixa tranquila: ouvi meu coração.

Outra coisa, gostei muito de um comentário no último post, pena que foi anônimo. Queria "responder":

Não acho que o mundo lésbico seja de todo superficial.
Você fala de duas "Ex's". Temos a Baixinha, que foi importante na minha construção lésbica, com quem aprendi várias coisas, e que de certa forma me forçou ao amadurecimento. Querendo ou não, de agosto de 2004 até o comecinho de 2009, meu coração acreditou ferozmente nessa história.

Nesse meio tempo teve a Índia? Teve. E ela também foi importante. Com ela aprendi a namorar de verdade. Quase um ano com direito a sogra por dentro do namoro e tudo mais. Depois dela voltei com a Baixinha e fui até onde deu. Gastei todas as energias que poderia investir num relacionamento.

Me fechei. E aí conheci a atual. Que foi "ex" durante uns dias, e que agora anda me surpreendendo de uma forma tão positiva que estou até impressionada. Se for contar todo o tempo sem interrupções, são quase 5 meses e que passaram voando.

Se vai durar? Não sei. Não aprendi a prever o futuro.
Pode ser que ela pise na bola de novo? Pode. Pode ser que eu pise na bola? Pode também. Não justifica, mas ninguém é perfeito e todo mundo erra, uma hora ou outra.

Em partes concordo com a anônima que comentou... Só não acho que eu tenha me encaixado na "rotatividade" e tão pouco meus relacionamentos são frívolos.

2 já falaram

Turma do Colorê disse...

Olha, deponho contra a acusação de que o mudo lésbico é rotativo e cheio de frivolidades.
Pelo contrario.
Quando meninas se apaixonam, se apaixonam mesmo e muitas vezes sofrem por isso anos e anos a fio, como foi seu caso com a Baixinha.
Graças a Deus a gente cresce com cada história e chega a pessoas como as nossas namoradas.

Beijos.

Sofia, disse...

Bom, gostei de saber que você voltou! Na verdade, aconteceu a mesma coisa comigo, mas o namoro era de mais tempo. Mas já conversei bastante sobre essa coisa de ser superficial ou não. A questão é que ainda existe muita menina que fica com menina apenas por curtição, chego a ter medo de algumas bissexuais que não pensam na consequência de um beijo. Acontece. E pelo fato da homossexualidade estar deixando de ser tabu, a bissexualidade aumenta demais, até quem não é, nunca foi, 'vira'. E claro, não leva nada a sério.

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