11 janeiro 2010

Querido diário: Mães. Todas iguais?

Um tempo atrás postei aqui dizendo como contei para minha mãe sobre minha orientação sexual. Não sei se esse vai ser o fator de muitas brigas na minha vida, mas de um jeito ou de outro, ele sempre volta à tona.

Ok, minha relação com Dona José nunca foi das melhores, mesmo antes quando nem eu sonhava que pertencia ao time colorido da vida. Acho que no fundo ela sabia antes de mim que eu não era “normal”. E hoje vejo que sempre dei indícios de que sempre preferi meninas, moças, gurias, mulheres...

Por mais que o assunto passe por dias, semanas, às vezes até meses, adormecido, ela sempre volta no mesmo ponto. E sempre brigamos.

Esse final de semana foi mais um entre tantos de desentendimentos. Isso cansa, chateia, me deixa triste... Acho que no fundo estou cansada de brigar pelos mesmos motivos, cansada de tocar sempre no mesmo ponto e sempre ser minha, a mudança desejada.

Às vezes tenho a impressão de quem ninguém vê as coisas boas que eu faço.
Crescer dói. Dói porque antes era mais fácil passar uma tarde chorando por conta disso sem ter outras coisas pra me preocupar. Antes eu não pensava numa coisa que parece que está cada dia mais perto: futuro.

Minha mãe sempre pergunta o que eu quero da vida. Pra ela meu futuro seria casar e formar família, ter um marido, filhos, essas coisas. Ela não vê felicidade fora disso. No fundo sei que meu pai espera a mesma coisa. Tenho 25 anos e não posso mais agir como adolescente, não me permito agir assim, por mais que eu aja feito uma criança mimada às vezes... E me atormenta ficar pensando na vida: O que eu construí até agora? O que há de sólido na minha vida? Posso fazer planos? Tenho alguém ao meu lado que sonha com as mesmas coisas que eu? Ou melhor, tenho alguém com quem tenho sonhos em comum? Faço esse alguém feliz? Demonstro o quanto esse mesmo alguém me faz feliz? Por mais que eu saiba que, sim, eu tenho um relacionamento que tem “futuro”, tem hora que a insegurança – o mesmo bicho papão do último post – resolve dar as caras e me encher de dúvidas.
E aí fico me perguntando se quando eu for mãe eu vou ser igual a Dona José. Tenho tudo pra ser diferente, mas será que vou ser?

Vejo casos por aí de meninas que namoram com meninas e tem sogras maravilhosas ou que a própria mãe é um amor de pessoa. Ou mesmo moças “héteras” que conseguem contar tudo sobre o dia-a-dia, confiar segredos para aquelas que as colocaram no mundo.
Não me imagino chorando no colo da minha mãe por um emprego perdido, por uma nota ruim, ou até mesmo um “fora” tomado. Mas confesso que tem horas que sinto falta em ter em quem me apoiar.

No fundo, eu sempre me coloquei como a “Mulher Maravilha” que leva o mundo nas costas e aguenta tudo, resolve tudo sozinha. Aí quando preciso ser “mortal”, ninguém faz ideia de como se aproximar pra ajudar, ninguém sabe como me pegar no colo, até porque eu não sei como permitir isso.

Hoje amanheci com um vazio no peito. Tem algo doendo e não é de hoje, mas o fato de ter tocado na ferida nesse final de semana deixa tudo mais sensível. Cansei de brigar com minha mãe. Cansei de esperar mudanças por parte dela. Cansei das farpas trocadas, cansei de esperar que ela me entenda. Cansei de ter que lidar com Dona José sempre me colocando pra baixo.

Mães não são todas iguais, se eu vier mesmo a ter um filho, vou me esforçar pra ser diferente, eu prometo. E se você tem uma mãe bacana, não perca a oportunidade de dizer isso a ela, não deixa pra amanhã, reconhecimento é uma das coisas mais importantes na vida...


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p.s: perguntaram nos comentários o signo da Baixinha, então, a resposta é... Touro.
Acho que tomei birra do signo. São ciumentas DEMAIS.

5 já falaram

Sofia, disse...

Bom, apesar de só ter 18 anos, a relação com minha mãe é quase a mesma que vc descreve aí. Engraçado, essa coisa de planos também é verdade. Mas tenho dentro de mim, metas, como sonhos mesmo. É legal sabe? E ter alguém do lado que quer mais ou menos o mesmo ajuda muito. As vezes acho que é o que me impulsiona a atingir as metas.

Rafa R. disse...

Ahh... é por essas e outras q ainda não tive coragem de contar naaada p minha mae =(
E mesmo assim, sem saber rs apenas supondo mtas coisas ou fingindo q nao sabe de nada.. ela ja consegue me alfinetar... ¬¬' Oooo ódiooo. A verdade é q tenho medo de magoar a pessoa q sempre esteve, em qualquer circunstância, do meu lado =(
complicadinho.... mas acho q no final elas sempre acabam entendendo ' espero/

E com relação as taurinas uhahuauha nem sempre são taooo ciumentas assim hauuhauha e tenho dito!

bjaoooo e boa sorte com a mamãeeee =)

keyla disse...

Nõa nos conhecemos mas parece que sentimos as mesmas coisas tambem sofro com minha mãe, boa sorte beijos!!!!!!!!!!

VidadeIguais disse...

Pri, infelizmente na nossa situação temos que nos conformar que por mais abertas e amigas que sejam nossas mães, sabemos que essa não é a primeira opção de vida que elas queriam pra nós, não é?
Passou muuuuuuito tempo até minha mãe cair na real com o lance de eu e namorada irmos morar juntas. E, ainda hoje, com o apartamento em reforma, ela tem seus dias de recaída. Óbvio que se tornaram bem menos frequentes, mas enfim..
Talvez a sua mãe espere de vc alguma atitude da mesma forma que vc espera dela!

bjsss
Ju

Leone Bárbara disse...

Oi, primeiramente queria elogiar, uma vez que adoro o modo como vc escreve.
Em segundo lugar, cara... não é fácil isso aí. Vivi em pé de guerra com minha mãe por 3 anos quando ela descobriu de mim. Nós não tocávamos no assunto e assim não discutíamos. Agora ela me "semi-apóia", mas quando ela tem a chance de dizer que eu tomei um rumo ruim pra mim ou algo do gênero ela aproveita. Quem sabe um dia ela desiste de vez, mas nem tenho do que reclamar ultimamente. Já chorei no colo dela porcausa de uma garota. As mães não são todas iguais, mas por algum motivo eu tenho essa e eu acho que o que temos que fazer é aprender a lidar, de uma forma ou de outra.
Um beijo.

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