16 janeiro 2010

Das coisas que eu disse, digo e gostaria de dizer

Um texto sobre ciúmes, amor e memórias...


Ouça enquanto lê... (ou assista no Youtube)


Eu nunca disse a ela que o ciúmes que eu sinto nem é tanta insegurança assim. Em parte é, mas o sentimento tem mais a ver com o egoísmo mesmo, com querer só pra mim aqueles olhos e olhares que tanto me inebriam. Me sinto como aqueles exploradores que descobrem um tesouro enorme, imenso e valioso e querem guardar toda aquela riqueza só pra si.

Uma vez eu a ouvi dizer que se ela pudesse, me guardaria, que gostaria de ter a dona Pós Adolescente aqui só pra ela. Na época, confesso, achei meio bobeira, até porque aprendi que possessividade não leva os relacionamentos à lugar algum. Mas sabe, eu a entendo, por mais que na prática seja diferente, dá vontade de ter toda a atenção só pra mim. Não que essa seja uma comparação válida, mas é igual Yakult, quem é que gosta de dividir? Quem é que acha legal quando chega alguém na melhor das intenções e diz: “Me dá um gole do seu Yakult”? Quem curte?

Meu ciúme não é medo de perder. Até porque nada é eterno. Nem eu, nem você. Não existe “pra sempre”, mas existe “por toda a minha vida”.

Relacionamentos começam e terminam todos os dias, cabe a nós saber cuidar, saber levar pra que dure “por toda a vida”. Ou que dure enquanto for bom. Porque eu não quero alguém infeliz por estar ao meu lado. Não quero uma propriedade. Se tem algo que aprendi e sofri pra aprender, é que a gente é livre. Livre pra fazer o que bem entende. Tudo bem que cada ato nosso tem um preço e liberdade é justamente isso: ter consciência de poder fazer o que bem entende, mas sendo responsável por suas escolhas. É saber que se der “merda” você pode arcar com as consequências. Por isso digo que todo mundo é livre... Ninguém te obrigou a começar a namorar, a começar a sair com alguém, como diz (se eu não me engano) Martha Medeiros: “Beijos não são contratos”. Por isso, o ciúmes – no meu caso – não é medo de perder. Por mais que que eu tenha, sim, medo de perder, mas pra evitar isso, eu cuido. Eu sei que se um dia uma de nós não quiser mais nada, não vai adiantar chorar, espernear, fazer cena... É um direito... É uma escolha. E só resta saber respeitar. Por mais que isso vá doer um bocado. Então eu sei que se hoje ela está comigo, está ao meu lado, é porque ela gosta, é porque ela quer.

Eu acho que já disse a ela, que no dia em que a conheci eu senti que, mais cedo ou mais tarde, seríamos felizes, tal qual somos hoje. Eu já disse a ela que amo, amo mais a cada dia, e que é um amor maduro, seguro de si, que sabe onde quer chegar. Eu acho que já disse a ela o quanto amo quando ela bagunça meus cabelos, o quanto amo andar de mãos dadas, trocar carinhos na fila do café. Acho que também já disse que sempre fico relembrando de certas cenas, do beijo no ombro, que me deixou arrepiada, no dia em que a pedi em namoro no bar, que lembro da maneira como ela riu deliciosamente quando espantei o motorista do outro carro com apenas um olhar no estacionamento do parque. Acho que nunca vou esquecer da maneira como limpei a calça dela da poeira da parede no dia do show. Ou o alfajor, pra adoçar a vida depois de uma notícia não tão boa. Também já contei que eu fiquei disfarçando interesse pelo equipamento do fotógrafo só pra ficar olhando e contemplando aqueles olhinhos escuros brilhando de emoção. E também já disse que gosto da nossa história.

Agora o que eu quero dizer a ela é: Obrigada. Por cada dia, por cada sorriso, cada colo, cada ligação, cada mensagem, cada “ceninha” de ciúmes (porque ela sente tanto quanto eu). Obrigada pela paciência, por retribuir o que eu sinto, por me acolher, pelos beijos, pelos carinhos, pelo humor, pelas aventuras, por não ligar pra minha cara de pau, por me fazer rir e por rir das minhas piadas sem graça, por mais que eu saiba que você ri de mim e não das piadas. Obrigada por me deixar cuidar de ti, por me receber na tua casa, por me deixar ser parte da tua vida. Enfim, obrigada por ser parte da minha vida e plantar em mim a vontade de me tornar uma pessoa ainda melhor.

Pra você, três letras, que juntas não poderiam significar melhor o que eu sinto por ti: amo.

p.s: não fica brava! Eu não esqueci do trato, eu quebrei uma parte dele, mesmo. ;]

5 já falaram

Sofia, disse...

que liindo.! Mandei o link pra minha namo *-*

Anônimo disse...

Que bacana. Adoro te ler, viu?
Tão bom sentir as pessoas apaixonadas e de bem com a vida.
Quanto aos ciúmes, uma pitadinha dá sempre um bom tempero, nunca sendo exagerado, normal.
Que esse amor tenha vida longa e feliz, com respeito, sempre.

Abraços
Karen

Mallika disse...

So cute!
Acho que um pouquinho de ciúme tempera a relação.
Não aquele que atrapalha a vida e dá escândalo, mas aquele ciúme que faz bico e se cura com beijinho.
Atóoron.

Bárbara disse...

Sempre que li você falando sobre a namorada, eu sentia que ela sabia da existência desse blog.

O que é meio chato, não? Pelo menos por aqui seria. Sou muito sensível, não posso ler uma coisa aqui ou ali que não estejam da exata forma que a pessoa me disse.

Mas enfim, eu falo/escrevo demais.

Lindo post! Bastante expressivo. :)

Fique bem.

Conto de Meninas disse...

Ciumes é bom.Uma pitada da animo a relação em ambas as partes.Animo de uma cuidar mais e a outra sentir que é amada.De que ela gosta de verdade!

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