11 novembro 2009

Querido Diário: As diferenças entre Dona José e Papai

Dona José anda pegando no pé pelos mesmos motivos bobos pelos quais ela sempre pegou. Acredito que isso ela nunca vá mudar. Eu não consigo compreende-la, penso que ela sinta algum tipo de prazer, talvez o único na vida, em ficar falando, falando, falando na minha orelha pelos motivos mais bobos possíveis – que vão de uma peça de roupa jogada sobre a cama, até o por quê eu estou almoçando as 12h30 e não as 13h15 (é, ela pega no meu pé por bobeira, eu disse).

O mais engraçado é que meu pai sabe das neuras de Dona José, e quando estamos só eu e ele em casa, ficamos rindo litros e baldes das peripécias Josésisticas. Imagine duas pessoas na cozinha, com vozes estridentes, imitando os inúmeros questionamentos da progenitora desta Pós Adolescente que vos escreve? No mínimo hilário.

Embora Papai não saiba da minha orientação, e eu acho que é bem capaz que ele fique chateado ao descobrir, ele não fica tanto no meu pé. Minha relação com ele sempre foi melhor, por mais que por diversas vezes a gente já tenha ficado um tempo sem se falar.

Com ele tudo rola bem mais natural. Por exemplo, vou sair com a namorada, não aviso com quem vou, mas aviso que não estarei na cidade. Ele não fica me enchendo com 500 perguntas. Há um tempo atrás ele disse que me educou de uma forma, e que eu sei muito bem o que é certo ou errado e que não é ele que vai ficar no meu pé a esta altura do campeonato, até porque meu caráter já está formado. Lindo, não é?

Sei que as coisas estão melhores do que eu esperava. Se eu soubesse que ia ser assim, tinha contado antes. Tudo bem que pode ser que antes não fosse como agora, mas com certeza agora as coisas estariam melhores... Isso não quer dizer que estou aconselhando todo mundo a sair da frente do computador neste exato momento e dizer: “Mãe, eu sou lésbica” (vale visitar o blog, ok?). Cada caso é um caso e todo mundo conhece bem a mãe que tem. E dificilmente a primeira reação será positiva, então esteja preparada pra ficar algum tempo sem conversar direito, para aguentar cenas de drama, choro e outras coisas mais. Se você acha que suporta o tranco, faço uso de uma estrofe de Engenheiros do Hawaii: “Diga a verdade, vá em frente minha amiga...”. Porque se tem algo que posso garantir é que a sensação de não estar mentindo/omitindo é libertadora.

6 já falaram

AnA_Li disse...

sou da pequena parcela privilegiada: papai e mamãe
aceitam e adoooram a namorada \o/

a maioria passa pelo cão com a familia...entaum como
sempre digo "antes tarde do que cedo" pq quanto mais
tarde a familia souber mais tempo vc tem para se
preparar emocionalmente...

Le disse...

faz tempo que não escrevo, mas não quer dizer que não tenho vindo aqui ;)
então, o final desse post traduz exatamente o que eu sinto.
mas é estranho, recém entrei pra maioridade assim como também recém estou descobrindo e aceitando o lado mais colorido da vida..enfim.
mas parece que sempre que minha mãe vem com esses pappos "e aí, ficou com alguém? tá gostando de alguém?(...)"
eu desvio o assunto ou invento algo.

recém também estou superando uma ILUSÃO (platonico-real) amorosa e óbvio, a tristeza bateu.
e como explicar? bom, nem freud conseguiu !
(que pessoa mais recém,perceba..)


mas um dia eu me esclareço, em casa converso com o pessoal e vamos em frente !
beijo, e mutcha luz pra nós !

@juelaila disse...

Oi, Pri!

Passo sempre por aqui pra ler oq escreves e nunca tinha comentado!
Agora q resolvi dar uma de blogueira, te linkei lá no meu blog!

beijoss

Escaminha disse...

É libertador mesmo...
Minha mãe sabe e até zoa a namorada já.
Agora o meu pai eu não sei se ele sabe e se finge de desentendido, mas basta eu chegar na casa deles pra perguntar se ela desceu comigo...

Turma do Colorê disse...

Sou da mesma parcela privilegiada da AnA_Li, além de mamãe saber e aceitar super bem a namorada também tenho uma sogra que sabe e me aceita super bem praticamente morando na casa dela quando minha mãe viaja.

Vim deixar minha marca aqui em baixo pra dizer que me identifiquei muito e concordo com muito desse post. É sempre melhor depois de contar mas é importante estar preparada pra a fase ruim que se segue, por mais curta que ela venha a ser. E também nem todo mundo tem a sorte que eu, Namorada, Pri e AnA_Li tivemos. Pode ser que outras mães dificultem muito mais, demorem muito mais ou não venham a aceitar nunca. Cada uma sabe a mãe que tem, e as mães também sabem, e muito, as filhas que tem. ;)

Dani CrazyAlice disse...

Vc escreve tão bem, parece tão divertida e legal. :) A gente se parece, desculpa a pretensão nessa frase. rs O jeito parece. :) de ver o mundo, de pensar das coisas, até de escrever.
Fica aí um abraço, desconhecida.
:) Beijos.

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