26 novembro 2009

Quase óbvio

Aí são quase dezoito horas e me pego postergando novamente tarefas já atrasadas: a leitura de um livro, a edição de algumas matérias ou simplesmente aquela soneca planejada para a tarde de hoje.
Teoricamente é quase noite, quase quente, nesses tempos de quase verão. E quase já não sei o que escrever. Na verdade acho que nunca soube ao exato o que dizer, ou para quem dizê-lo, ou se o que eu tenho a dizer é mesmo dizível, se é que você me entende.
Gosto das entrelinhas justamente por isso: elas quase dizem aquilo que, de fato, eu quero dizer sem dizer assim dizendo logo de cara. Talvez por isso também o blog: escrever sem saber exatamente para quem.

Por esses dias tive diversos “quases”. Uma quase ida a São Paulo, uma tarde em que quase mandei uma funcionária daqui para a “puta que te pariu”, outra tarde em que quase chorei e uma noite em que quase não dei aula e que quase me atrasei. Esses e outros fatos apócrifos sucederam-se em meio a esta semana cujo fim se anuncia nas próximas vinte e poucas horas, afinal sexta-feira após o meio dia já é praticamente o fim de semana propriamente dito, ainda que Aurélio teime em dizer que geralmente a definição aqui utilizada só caiba aos dias de sábado e domingo. Pois bem, pouco me importo, trabalho aos sábados também. E mais: não me bastasse trabalhar aos sábados, trabalho aos sábados durante a noite, ou quase noite dependendo do dia.

Enquanto enrolo por mais algumas linhas, tentando impor às entrelinhas, aqui já registradas, algum significado, a noite deixa de ser clara e a escuridão começa a abraçar o horizonte bem ao longe. Da sala sem janelas em que estou, imagino a vista lá fora, que transforma-se minuto a minuto quase que imperceptivelmente. Só os olhos mais atentos percebem os tons alaranjados surgindo, sabe-se lá de onde e acompanhando o astro rei em mais uma de suas tantas despedidas.
Por ora decido imitá-lo. Não que eu tenha tamanha grandeza, mas é que é chegada a hora de despedir-me ao menos por hoje. Escrevi, escrevi escrevi e cheguei a lugar nenhum ou a um não-lugar. Quase consegui enrolar vocês nesse quase começo de noite.

6 já falaram

Eyre's disse...

Quase fazer ou quase não fazer algo é uma arte.
Continue assim e um dia vc quase fique igual a mim.


Só quis ser quase a primeira a comentar, ja que quase nunca o fiz antes.
:P

Escaminha disse...

Adoro divagar...
Adoro escrever meus pensamentos, mesmo que eles não tneham sentido algum...pra depois eu ler e ver o que eu estava pensando a minutos atrás...

Priscila disse...

Eu gostei do seu post, criativo! =)

Alice disse...

Faz tempo que não venho aqui, e fiquei feliz ao ler os posts de 2 meses e os do seu dia-a-dia feliz. Parabéns pela data (morra de inveja, estou em 6 meses!) e que o namoro ainda lhe traga muitos outros sorrisos.

E você quase me enrolou com seu post que não diz quase nada... Mas é bom divagar às vezes, ainda que em público.

Conto de Meninas disse...

Quase conseguiu não!Conseguiu!Você me prendeu do inicio ao fimm do seu texto!
Bem criativo!
beijos

Stella Polaris disse...

quase me comovi, quase me compadeci, quase me solidarizei. quase não comentei, mas resolvi passar quase despercebida.

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