28 maio 2009

A anta que escreve

Dando uma pausa no podcast e na série, resolvi desabafar, afinal este blog é um diário de uma pessoa crescidinha, que mesmo sendo - cóf cóf - gente grande, tem uns problemas dignos da mais alta dramatização juvenil.

O fato é que eu me sinto uma idiota às vezes. E não bastasse me sentir assim eu ajo conforme meus sentimentos. Isso faz com que eu ligue para um número que nem sequer está na minha agenda, mas que está gravado na alma. Eu ligo mesmo sabendo que isso deveria ser a última coisa a ser feita na face da terra. Ligo por conta de um egoísmo, de uma ausência insuportável: a ausência da Baixinha.

Bizarro? Talvez.
E quero morrer com isso. E não é morrer num sentido figurado não. É morrer mesmo. Porque me sinto incapaz de seguir, mesmo sabendo que tenho forças, que se eu quiser eu consigo. É tudo tão mais complicado na minha cabeça e no meu coração que eu me perco.

Não é que eu não aceito ter perdido. Eu aceito. O que eu não aceito é ter errado.
Malditas fucking cobranças... O ruim é seguir e ficar com esse gosto amargo de derrota na boca.

Não é uma obsessão. Não, não é. Isso tudo é consciência de que ela me fazia muito bem. Um bem que nenhuma outra pessoa fez ou faz. E fica difícil de alguém acertar a mão no tempero da coisa de novo. Porque eu fico me perguntando: Como e porque vou achar outra pessoa, se tudo aquilo que eu procurava eu achei?

Estranho né?
Pois é. E toda essa onda de pensamentos me sufoca.
E dói. Dói de um jeito que eu acho que doeria menos deixar de viver.
Morte nesse momento não me vem como sofrimento. Vem como alívio. Um alívio covarde e egoísta. E sim, eu sou covarde. Uma covarde metida à besta. Metida à mártir.
Tão metida à mártir que prefiro, consciente ou não, continuar vivendo essa maldita dor.

Eu poderia simplesmente mudar? Sim. Mas algo me prende.
E eu não sei o que é. Definitivamente eu não sei o que é.
Aí eu choro. Choro como chorei no sábado, sozinha no carro voltando do programa com amigos, choro quando lembro N coisas e choro quando escrevo textos de merda como este que você lê agora...

E toda essa consciência de sentimentos, pensamentos, e etc, etc, me maltrata.

No fundo eu só queria amar de novo. E sei que não é procurando que vou encontrar isso... É me permitindo. E quem disse que consigo? Quisera eu ser menos fresca...

Sei que se o desejo de morrer é, como dizem por aí, pecado, quero então cometer o último dos meus erros.

(e não se preocupem... isso passa... na verdade eu espero que passe...)

23 maio 2009

As mulheres da minha vida: A rave, a Índia e o absinto

No último capítulo contei que estava envolvida com a Baiana e que estávamos meio que juntas, mas sem nenhum compromisso. Eu em São Paulo e ela na Bahia com o computador quebrado e também comecei a contar da rave.

Pois bem, a rave tava chata pra dedéu. Começamos a beber em volta da piscina: eu, minha amiga que tinha me convidado e a amiga dela, morena jambo, cabelos longos e castanhos com olhos da mesma cor, que doravante vamos chamar de Índia, haja visto que, de fato, ela tem traços parecidos com o codinome. Papo vai, papo vem, eis que na piscina de azulejos azuis e rejunte verde surge uma sapa nadando. Tá, não era bem uma sapa, era uma perereca e não pense bobeira ok? Era um animal anfíbio ok? Não era uma lésbica nadando nua, com a perseguida/xoxota/xana/periquita/insira-aqui-o-nome-que-quiser à mostra.

O anfíbio estava lá, nadando e aproveitando o ambiente quando um cara metido a besta resolveu tentar pegar a perereca. Ele tentava e perereca nadava, tentava de novo e a perereca escapava, ia com jeitinho e nada de pegar a perereca. Cansada de ver a cena a Índia resolveu se mobilizar e mostrar como é que se coloca a mão na perereca. Então num show de habilidade ela foi, entrou na água (que estava na altura dos joelhos) e pegou a perereca! E não é q bichinha nem tentou fugir? Deve ser coisa de Índia, aquele lance de ter contato com a natureza e tal...

Depois de um tempinho na mão da Índia, a perereca voltou para a piscina e sumiu. É lógico que o episódio deu início uma conversa, um papo animado, com piadinhas toscas da minha parte no sentido de "Ahhh então você coloca a mão na perereca?" ou ainda "Você pega a perereca com jeitinho" e coisas que somente o álcool nos permitem dizer.

Como o local era grande, eu e a Índia saímos pra conversar e conhecer melhor o lugar. Nessa altura do campeonato eu já havia reparado no anel em formato de cobra no polegar e já estava pensando "Ahaá, essa guria torce pro mesmo time que eu...".

Contei sobre a minha história com a Baixinha e ela sobre a vida dela. Eu toda jogando meu pseudo-charme pra cima dela e batendo papo. Conversamos um bom tempo e resolvemos voltar pra civilização pra socializar. Como a rave tava muito, mas muito chata fomos embora. Tempos depois fui descobrir que minha amiga estava ficando com a Índia e que a Índia nesse dia queria ter ido pra outro lugar, um churrasco GLS que sempre rola aqui na região.

Deixei as meninas em casa e elas me convidaram pra ir a um churrasco, que não lembro se era no dia seguinte ou na semana seguinte na casa de uma amiga.

Lembro que depois comentei com a Baiana que estava com a sensação de a ter traído, por mais que não tivéssemos nada.

Pois bem, fui ao churrasco, conheci os amigos da Índia. E conversando com uma delas disse que tinha gostado muito da morena jambo. Enfim... Nada tinha rolado até o momento ainda. Mas já havia declarado minhas intenções.

Na volta, de novo eu havia dado carona, ela me convidou pra entrar. Estávamos em dois casais: eu e ela e um casal de amigos. Os amigos começaram a se pegar na sala e eu sentada no braço do sofá conversando com ela. Eis que ela vai a cozinha e volta, na volta para na minha frente e.... Bem, não preciso dizer que ficamos não é mesmo minha gente? Sei que nessa passei na casa dela mais umas duas vezes durante a semana e marcamos de sair. Um barzinho gay que era muito, mas muito, muito bom nessa época. Começamos a dançar e beber, dançar e beber. Catuaba, cerveja e... Absinto! Era a primeira vez que eu provava a fada verde. Nem preciso dizer que a essa altura do campeonato tava todo mundo bêbado né? Lembro de flashs dessa noite. Um deles é de três meninas se agarrando encostadas numa das paredes externas do bar. Beijos à três, um casal de guris ao lado e a coisa fervendo. Detalhe: eu era uma das três meninas. As outras duas eram a amiga da rave, também conhecida como Promoter e a nossa já conhecida morena jambo, Índia. Sei que quando me dei conta dessa situação dei um jeito de ficar a sós com a Índia enquanto a Promoter ia ao banheiro. Ainda bêbada, exatamente no dia 23/12/06 eu a pedi em namoro. Ela, também bêbada, aceitou.

Meu primeiro namoro "oficial" com gurias começou assim. Não peço pra imaginarem como foi o resto, simplesmente porque essa história eu ainda vou contar.
Aguardem ;)

21 maio 2009

Podcast - DUPA 008

No programa de hoje muita música animada e a opinião dessa que vos fala sobre gurias bissexuais.


Download do Arquivo (26.8MB)

  1. Jesus Jones - Right Here, Right Now
  2. Amy Winehouse - You Know I'm No Good
  3. Fatboy Slim (feat Groove Armada) - I See You Baby
  4. Placebo - Meds
  5. Linkin Park - Faint
  6. Madonna - Love Profusion
  7. Shakira (feat. Wycleaf Jean) - Hips Don't Lie
  8. Raimundos - Mulher de Fases (acústica)

Tô devendo a nova do No Doubt, que fica pra semana que vem, certo?

16 maio 2009

As mulheres da minha vida: A Baiana

Depois de contar como briguei com a Baixinha a vida continua e minha história também.

Eu sempre fui uma, humm... "rata"(?) de internet. E sempre gostei de escrever também, tanto que meu outro blog tem uns 4 anos de idade (e anda abandonado por sinal). Nessa época blogar por lá era meio que terapia: me sentia bem mais leve. O outro blog que ainda está no armário sempre carregou nas entrelinhas tudo aquilo que eu vivia. Nessa época eu o divulgava em outros blogs e principalmente em comunidades do orkut.

Um certo dia, numa dessas comunidades, uma menina linda, mas tipo muito linda, veio tirar uma dúvida sobre html comigo. Desse papo começamos a conversar mais. Em pouco tempo o assunto blogs deu lugar a outras conversas. Começamos a falar de nossas vidas. Eu eu aproveitei pra chorar o fim de uma relação com uma "pessoa" - porque toda lésbica/fancha/sapatão em início de carreira nunca diz que está chorando horrores por causa de uma guria, principalmente pra uma pessoa que você mal conhece.

A Baiana sempre foi atenciosa. Aliás disso não posso reclamar: ela cuidou muito bem de mim nesse período que eu chorava por causa da "pessoa" - vulga Baixinha. A Baiana dos belos lábios, mesmo com a distância era mais presente do que muita gente por aqui.

Eu fui melhorando, aos poucos, mas fui. E quanto percebi, tava envolvida: chegava mais cedo pra poder falar via áudio com ela. Ficavamos no MSN boa parte do dia. Éramos confidentes. Não sei como nem quando, mas contei que a "pessoa" era uma guria. Nessa época a Baiana era o ser mais heterossexual que eu conhecia virtualmente. Tínhamos algo mesmo que implícito. Eu morria de ciúmes quando ela saia pra uma tal boate soteropolitana mas ela parecia não me dar muita bola.

Lembro que liguei no aniversário dela, mesmo com vergonha, nos falamos um pouco, mesmo ela toda ocupada com os preparativos pra mais uma balada. O tempo foi passando e começamos a trocar cartas também. Lembro que dei o Edward de natal - um urso da coca-cola - e ganhei o Elvis, o hipopótamo mais sexy da face da terra e que na época cheirava Dreams. Realmente a Baiana tinha um ar de mulher dos sonhos.

Mas nem tudo era só maravilhas: tinha a distância, tinha minha carência, tinha a personalidade forte da Leonina Soteropolitana. E nesse meio tempo teve também os meus não-sei-quantos pedidos de casamento, que logicamente não foram aceitos.

Quando a Baiana começou a pensar em retribuir toda aquela minha paixão aconteceu que o computador dela simplesmente quebrou e precisou ficar uma semana na assistência técnica. Isso me fez voltar para o mundo real.

Nessa época eu não frequentava bares e/ou baladas GLS's. Tinha ido uma única vez, que por sinal me traumatizou: além de me sentir estranha - sim, eu me senti estranha na primeira vez em que fui a um bar GLS - eu tomei um fora. Um big dum fora. Enfim: quando o computador da Baiana quebrou eu percebi que estava vivendo uma vida totalmente virtual. Que estava interessada numa pessoa que eu nunca tinha visto pessoalmente e que meus dias (e minha vida amorosa) dependiam de uma máquina. Resultado? Balde de água fria nesse coração que vos tecla.

Pra complicar ainda mais a situação, aconteceu que calhou que nessa mesma semana eu recebi um convite pra ir numa PVT - entenda-se mini-rave - no final de semana. Eu fui mais pra fazer média com a guria que tinha me chamado do que por vontade mesmo. E essa rave mudou minha vida.

Chega o dia da festa, fomos no meu carro pro local da PVT, eu a minha amiga e uma amiga da amiga. Chegando lá nossa surpresa: A festa não estava bombando. Na verdade acho é que foi bombardeada porque não tinha praticamente ninguém. Mas mesmo assim muita coisa aconteceu naquele sábado de dezembro de 2006.

E a Baiana, você deve estar se perguntando certo? Pois é... O final dessa história (mais uma vez) fica pro próximo capítulo.

E não me matem.
Enquanto isso, conheçam as aventuras de Alice em Lesboland. ;)

14 maio 2009

10 Dicas Sutis de como dizer ao seus pais, aos poucos, que você é Sapa

Você sempre sonhou no momento mágico em que pudesse contar pra papai e mamãe que você gosta mesmo é de mulher e não tem a menor ideia de como começar a dar dicas pra entrar no assunto? Seus problemas acabaram! Tá, mentira. Não acabaram, mas inspirados num post do Christian Pior (que sabe se lá porque foi deletado) essa Pós Adolescente que vos fala e a ♀ da Turma do Colorê resolvemos escrever as 10 Dicas Sutis de como dizer ao seus pais, aos poucos, que você é sapa:

1) Abandone as aulas de ballet, sonho da sua mãe, e matricule-se nos treinos de Rugby ou em artes marciais diversas. Diga que você se sente muito mais a vontade de kimono do que vestindo collant.

Quer saber das outras 9? Faça uma visita para a "Turma do Colorê" e veja a continuação desse post!

12 maio 2009

Calma, calma...

Eu não morri. Pelo menos não ainda...

Eu acho. E se eu morri e ainda estou postando aqui eu devo ser algum tipo parecido com "a Noiva Cadáver".

Enfim, o fato é que hoje eu passei por aqui para dizer que tô viva, e que devo postar mais uma parte da série Mulheres da Minha Vida amanhã ou depois com direito a novidades. Ou não.

Enquanto isso "ouvam" os podcasts já publicados enquanto vocês visitam alguns blogs amigos, como o blog da "Turma do Colore" ou o "Fala Rapha"

06 maio 2009

Podcast - DUPA 007

No podcast de número 007 a gente ouve:


Download do Arquivo (30MB)


  1. Lady Gaga - Viva la Vida*
  2. Frente - Bizarre Love Triangle
  3. Paralamas do Sucesso - Meu Sonho
  4. Travis - 3 Times and You Lose
  5. Skank - Tão Seu
  6. Fatboy Slim - Brimful Of Asha (Cornershop FBS Remix)
  7. Nenhum de Nós - Você Vai Lembrar de Mim

Devo marcar um bate papo com amigos e queria saber sobre qual assunto vocês gostariam de ouvir a opinião dessa Pós Adolescente que vos tecla & companheiros?
Deixe nos comentários as sugestões de temas para serem abordados. Vale pedir música também.

Lembrando que se você não quiser fazer o download e apenas ouvir o podcast, é só aguardar e clicar na figura!


* Lady Gaga fez pequenas alterações na letra, não consegui achar por aí. Mas ainda assim é a música do Coldplay

04 maio 2009

As mulheres da minha vida: O Grande Amor VI - Depois da Capital e a briga

Olá meninas, tudo bem? Desculpem-me pela ausência, juro que não foi por querer, perdi um ente muito querido durante o feriado, mas estou bem!

Antes de continuar, gostaria de agradecer pelo carinho nos comentários. Cada comentário aqui me faz ter a certeza que quero continuar compartilhando uma parte da minha vida com vocês.

Como eu disse no último capítulo a Baixinha foi pra Capital. Ficou 15 dias por lá. Nesse período nos falávamos por telefone, trocamos uma tonelada de sms's.

Enquanto ela estava viajando descobri por meio de uma amiga minha que uma prima chata dela estava espalhando fofocas à nosso respeito e tal. A Baixinha ficou desesperada quando contei. A gastrite dela atacou, eu fiquei preocupada com ela.

Eu esperava levar O pé na bunda quando ela voltasse, mas ao contrário disso recebi cartas. Isso mesmo: Cartas. Várias. Cartas escritas durante a noite à luz do celular para que ninguém a visse escrevendo. Cartas contado dos passeios, carta contando de todas as vezes que ela lembrou de mim, cartas contando da saudade que ela sentiu, cartas contando como ela queria dividir passeios, experiências, a vida comigo.

Continuamos na lenga-lenga de sempre: ficar, conversar que não era certo, tentar ser só amiga, voltar a ficar. Também em julho viajei com ela e a família, desta vez para uma cidade do interior. Era aniversário de alguém. Foi a primeira vez que dormimos juntas. Escondidas, trocando carícias, abafando a respiração afinal nós acabamos dividindo o quarto com a prima e a avó dela, já que a casa pra onde fomos estava bem cheia. Lembro que nessa viagem tiramos uma foto meio "casal" que foi apagada na hora da máquina, mas que tá aqui na memória até hoje.

O tempo foi passando. Mudei de emprego. Lembro que quando ainda estudava na parte da manhã e estagiava num outro local eu trocava meu horário na sexta-feira só pra levá-la ao ponto de ônibus pra ela ir para o curso técnico. Às vezes eu pegava o ônibus também, só por ir, só pra estar perto e isso quando ainda éramos só amigas. Em 2005 ela começou a fazer faculdade também. Fui com ela e o pai fazer a matrícula, aproveitei para aprender como chegar lá. Lembro que no segundo dia de aula apareci por lá só pra dizer que estava com saudade. Recordo também do sorriso dela ao me ver pelo vidro da porta descendo a rampa. Uma cara de quem não acreditava.

Durante o período da faculdade muitas vezes eu saia mais cedo da minha aula e ia pra faculdade dela, que fica numa cidade vizinha só pra voltarmos juntas. Como voltávamos motorizadas ganhávamos alguns minutos que eram aproveitados com muitos beijos dentro do bom e velho carro branco. Por várias vezes eu levei chocolate, um botão de rosa, pra entregar quando estivessemos juntas nesses momentos.

Costumo dizer que nós dávamos de 10 a zero em qualquer outro casal. Nessa época não havia brigas, só alguns pequenos desentendimentos por conta do meu ciúmes. Ciúmes que crescia cada dia mais. No fundo eu sabia que a qualquer momento iria perder o "Amor da Minha Vida", minha insegurança crescia e meu medo também. O medo de perder fez com que eu entrasse em desespero. Era um medo muito maior do que a vontade de continuar vivendo se eu a perdesse. Nessa época comecei a entrar em depressão. Com isso vieram também as bebedeiras, as ligações de madrugada, as ameaças de dar cabo à própria vida. Minha Baixinha aguentou o peso dela e o meu também durante um bom tempo.

Ela sempre cuidou de mim. Era do tipo que aparecia no trabalho pra me levar lanche: misto frio e chá gelado - coisas que eu gostava. Muitas coisas. Cinema era sinônimo de Baixinha, e durante um bom tempo foi assim. Eu tinha minhas crises de madrugada e ligava pra ela... Horas ao telefone. Ela sempre me trouxe paz.

Não sei como, nem porque, meu ciúmes chegou ao extremo. Foi nessa que brigamos. Uma semana após o meu aniversário em 2006 fui buscá-la na faculdade. Nos desentendemos por conta do celular e brigamos. Brigamos feio na saída da faculdade, com todo mundo vendo. Assistindo aquela cena patética de um casal discutindo por ciúmes.

Eu não lembro do que falei, não lembro de muita coisa. Não lembrava nem no dia seguinte quanto mais hoje. Aliás, até hoje acho que eu sai de mim naquele instante, tanto que naquela noite, em frente a faculdade além de discutir em público atirei meu celular longe.

A Baixinha sempre foi uma pessoa MUITO reservada. Não preciso dizer que ela entrou em choque né? Ela voltou comigo no carro sem dizer uma só palavra. Quando eu voltei a mim e me dei conta da briga desabei a chorar. Chorava, dirigia e implorava pra ela falar comigo. Ela não falou um A sequer. Quando chegamos na casa dela ela entrou e foi direto para o quarto. No que ela entrou a mãe dela já percebeu que havíamos brigado.

Minha então "sogra" aproveitou e pediu a mim para "dar um tempo na amizade" que a Baixinha precisava viver a vida dela um pouco, porque o mundo dela e o meu era um só e que isso não era sadio.

Resolvi pela primeira vez na vida não procurar a Baixinha depois de uma briga. Sentia vergonha de mim. Me senti um monstro. O tempo foi passando e quando liguei pra saber notícias a mãe dela me pediu pra que eu não procurasse mais.

E foi isso que eu fiz durante algum tempo. Até que fui atrás pra conversar e ouvir que ela ia respeitar os desejos da família de não mais conversarmos. Eu fiquei muito brava. Continuei procurando a Baixinha pra gente tentar se entender. Como na casa dela eu não ia mais, eu passava no trabalho. Cada vez que passava lá ela me tratava com uma frieza incalculável. Algo que me machucava muito. Eu via nos olhos dela a tristeza que ela estava sentindo por estarmos longe, mas a boca dela insistia em dizer que ela não sentia falta, que estava bem e que queria distância.

2006 foi um ano de limites. Eu estava no último ano da faculdade, saia do trabalho, chegava no estacionamento da faculdade e desmontava de tanto chorar. Com vergonha de subir pra sala com o rosto vermelho matava aula. Perdi muitas aulas assim. E não voltamos a nos falar...

Tentei de tudo. Mandava flores no trabalho. Às vezes mandava flores duas vezes na semana... Mas de nada adiantou...

Foi nessa época que conheci a Baiana


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update: Rá, até agora (11h07 de 05/05/09) o nome da Baixinha estava neste post. Por um equívoco acabei digitando a graça dela. Quem leu, leu.
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