10 março 2009

As mulheres da minha vida: O início

Para que vocês possam me conhecer melhor e entender como funciona o coração dessa Pós Adolescente que vos escreve, começo hoje a série "As Mulheres da Minha Vida", onde pretendo contar um pouco de como comecei a gostar de meninas, como foi o primeiro beijo, o primeiro relacionamento, as meninas com quem me envolvo e os problemas em que eu me meto, enfim um pouco sobre cada mulher que passou, fez ou faz parte da minha vida.

A primeira mulher da minha vida é minha mãe - e se você pensar besteira vai cair um raio na sua cabeça, sou amiga de São Pedro e ele costuma me atender - "Mamis" é a primeira mulher na vida de todo mundo. Muito do que eu sou hoje é fruto das coisas que Dona José (apelido carinhoso) me proporciou - ou não - durante meu desenvolvimento.

Não sei se tenho muitas recordações de quando eu era menor mais nova, não sei se o que eu lembro é muito ou pouco. Lembro de algumas broncas, de puxões de orelha, dela me levando para cortar cabelo no mesmo salão que ela, lembro de alguns passeios juntas.

Nunca esqueço de quando ela dava aulas numa escola perto de casa e às sextas eu a acompanhava na escola, assistia as aulas de uma turma mais velha que a minha. Minha mãe sempre alimentou meu gosto pela leitura, gosto criado pelo meu pai. Sempre que podia ela trazia um livro da Coleção Vagalume. Foi graças a ela que nessa mesma época eu desfilei num Sete de Setembro aqui na minha cidade.

Minha mãe teve fases de ser presente e outras em que era ausente. Quando eu tinha uns 6 anos, ela estava no Magistério. Eu chegava da Pré-Escola e passava a tarde com a vizinha. Quando ela voltava passava e me pegava para voltarmos para casa. Como eu acordava cedo, não tinhamos muito tempo. E não lembro de conversar muito com ela nessa época.

Depois que ela terminou o Magistério ela começou a faculdade. Nessa época eu já estava um pouco maior, o que permitia com que eu ficasse sozinha durante a noite em casa. Foi a época que eu mais aprontei, porque eu sabia mais ou menos o horário que ela voltava e meu pai também trabalhava durante a noite. Nessa época eu brincava com fogo direto. Por sorte nunca me queimei.

O tempo foi passando. Eu sempre tive vergonha ou medo de falar das coisas que eu sentia com ela. Admiro quem conta tudo para a mãe, quem vê nela uma amiga, uma confidente, acho que se tivéssemos conversado mais no começo da minha adolescência talvez hoje eu não estivesse no armário ou não teríamos tido alguns desentendimentos anos mais tarde. Lembro que uma das poucas vezes que falei de sentimentos com ela foi quando eu tinha uns 13 ou 14 anos e um amigo tinha pedido para "ficar" comigo. A tonta aqui era tão inocente e tinha tanto medo de fazer algo errado ou escondido e depois a mãe descobrir que foi perguntar para Dona José se poderia "ficar" com o Loirinho Bonitinho. Acabou que minha mãe me disse que eu era muito nova, dizendo que eu não tinha idade e todo um bla bla bla. Quem disse que eu fiquei? Isso só fez com que eu fosse dar meu primeiro beijo aos dezesseis, o que de certa forma foi bom.

Eu cresci e comecei a pensar pela minha própria cabecinha dura. Nessa época começaram os primeiros dos muitos desentendimentos que tive com a "Véia" (apelido carinhoso também). Nunca me envolvi com drogas, nunca até então era de frequentar baladas, nunca fui de fumar, não era de beber, não tirava notas ruins (muito pelo contrário: carreguei stigma de nerd/cdf durante muito tempo), frequentava a igreja, participava ativamente de movimentos religiosos, resumindo: não dava trabalho. Acho que justamente por isso eu tinha que ter algum defeito. Não virei rebelde sem causa, mas comecei a dizer o que pensava, daí para rolarem desentendimentos não foi um longo caminho. Dos meus 18 até a presente data rolou muita briga, muuuuita mesmo. Já ficamos sem nos falar, já nos reconciliamos, já brigamos de novo, já saímos no tapa, já quis sair de casa, já nos ofendemos, só não nos matamos.

Apesar de tudo eu a amo. E acho que por esse mesmo motivo às vezes acho que é melhor quando estamos longe, porque aí a chance de brigarmos diminui.

Ela sabe da minha orientação sexual, apesar de não ter ouvido isso da minha boca ainda. E sei lá como vai ser daqui pra frente. Muitas vezes penso que procuro em outras mulheres o colo e o carinho que eu queria receber dela, em outras vezes acho que isso não tem nada a ver. Vai saber...

9 já falaram

Fala Rapha disse...

A minha vive reclamando isso. Que eu deveria vê-la como amiga, contar as coisas... mas não consigo cara. amiga é amiga, mãe é mãe. certas coisas até melhor num saber, né? O.o

Gay Alpha disse...

Mãe é mãe! E você é ótima! Hehehe!!! Adorei a menção a Coleção VagaLume... acho que todo mundo leu, né? Beijos!

'Suzane' disse...

ser amiga da mãe é dificil mesmo. nunca fui de contar pra ela das minhas coisas, é estranho. e axo q muita gent é assim....

Anônimo disse...

Acho que o subentendido machuca menos as pessoas, pelo menos com a "primeira mulher da minha vida" é assim. Quando minha mae quer nao se machucar com meu gosto por meninas, ela se engana criando um namoro meu com algum amigo gay.
Obs. Achei engraçado voce mencionar sua orientação sexual como parte de uma carencia materna... acho( nao me lembro bem) mas acho que isso se chama holding.
xx Clara

Pettit disse...

nossa....simplesmente AMEI seu texto....em alguns (ou melhor) muitos lembrouo relacionamento que eu tive e tenho com minha mãe...me emocionei....

Anônimo disse...

Nice post. Eu tbem sempre fui boa moca (o que as pessoas querem realmente dizer qdo dizem isso?), estudiosa (as vezes chamada de 'cdf' tbem), quietinha, nunca usei drogas e nem gosto de alcool. Minha mae e o amor da minha vida. Ela sabe que eu ja passei da adolescencia, mas me trata como uma garotona. Sinceramente,se um dia eu nao tiver a atencao, o carinho e o amor dela, acho que vai ser dificil viver com tamanha ausencia. Nos duas tivemos poucas discussoes, nenhuma relacionada a namoros, mesmo porque ainda nao houve nenhum.
Engracado, li alguns de seus textos nos ultimos dias e me identifiquei com varios de seus comentarios. Ao contrario da senhorita, eu nunca frequentei a igreja.

Cuide-se bem.
F

Deathtagrazyta disse...

Nossa, lembro-me quando me mãe me pegou aos beijos com uma garota, ela faltou por o fígado pra fora, começou a xigar, a esperniar, a gritar e até mesmo a chorar. Fiquei muito emocionada com seu texto, minha mãe sabe da minha preferência sexual, acho que só não admite isso, acho que ela não quer acreditar, que aquela garotinha tão ingênua se transformou nessa mulher que sou hoje.
Parabéns pelo Blog...

Thais disse...

q texto lindo, minha mãe nunca foi muito presente, sempre trabalhou fora, saia bem cedo e voltava no começo da noite, me identifiquei muito com sua história.

"Muitas vezes penso que procuro em outras mulheres o colo e o carinho que eu queria receber dela, em outras vezes acho que isso não tem nada a ver."

as vezes tbm penso assim.

Alice disse...

Se sua mãe já sabe, por que não confirmar logo e resolver o assunto? Quanto mais cedo você falar, mais cedo as coisas vão se acertar entre vocês. Boa sorte!

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