13 março 2009

As mulheres da minha vida: A Infância

Continuando a série: "As Mulheres da Minha Vida" hoje vou falar sobre o começo das relações com mulheres que não era da família, sobre as primeiras amizades e sobre as primeiras olhadas - mesmo que inocentes - nas meninas com quem cresci.

Eu tinha uns 6 anos de idade quando pela primeira vez achei alguma menina bonita e a partir disso alimentei um desejo de ser muito amiga dela, estar sempre por perto, poder estar junto e concomitantemente sentir um certo ciúmes dos meninos que faziam graça com ela. Acho que desde essa época já tinha um padrão definido do tipo de mulher que hoje eu gosto/prefiro: Pele bem alva, cabelos negros ou castanhos e lábios rosados. Romântico demais? Não sei, mas até hoje me pego reparando nesse biotipo e suspirando.

Quem foi a primeira a ser olhada? Uma menina cujo nome lembro até hoje: Suelen. Estudávamos na mesma sala na Pré-Escola. Quando fui para o Primeiro ano do Ciclo Básico - é, naquela época era assim que chamava o Ensino Fundamental - até esperava que fossemos cair na mesma sala, mas acabamos sepradas: ela numa escola municipal e eu em uma estadual, que era mas próxima de casa. Foi o fim dos lanches divididos na hora do recreio, das brincadeiras na gangorra, da diversão regada a muita areia no playground da escola. Paralelo a isso eu mantinha uma paixão platônica pelo Loirinho Bonitinho que também estudava comigo, mas ele sempre fugia, acho que el gostava de outra menina da minha sala. Deve ter sido meu primeiro fora e às vezes acho que isso influenciou no meu futuro, afinal era mais fácil manter minhas amiguinhas do que conquistar os menininhos.

E assim eu fui crescendo: alimentando um ciúmes pelas minhas amigas mais próximas. Na primeira série tentava protege-las nas brincadeiras, arrumei briga umas poucas vezes com os meninos que ficavam com brincadeiras sem graça pra cima delas. Era praticamente um "irmão" mais velho com ciúmes das pequenas, muito embora eu fosse a que tivesse a menor estatura.

Nas brincadeiras de casinha, escolinha e outros inhas eu era sempre a tia solteira. Sempre achava que na família não tinha só a mamãe e a vovó, tinha também as tias. E se brincar era "fazer de conta", porque não encarnar o papel de pai às vezes? Já que os meninos não topavam participar dessas brincadeiras "de menina".

Durante boa parte da minha vida fui agraciada por ter excelentes vizinhos, fomos uma geração que cresceu junto. De 10 a 20 crianças se contarmos os amiguinhos da rua de trás. Não brinquei só de boneca, escolinha e casinha. Na verdade sempre gostei mais de brincar com os moleques, principalmente no tocante a jogar futebol. Clichê para uma lésbica? Talvez. Sei que perdi a unha do dedão do pé diversas vezes por chutar o asfalto. Sei que alguns dos meninos passavam em frente a minha casa e gritavam "Maria-Homê". E eu ligava? Não. Continuava brincando com os dois lados: os meninos e as meninas.

Dessas amizades, das meninas com quem cresci brincando na rua, teve uma que também foi minha "paixãozinha platônica", também no mesmo perfil: branquinha de cabelos negros. Nessa época eu já deveria ter meus 11 ou 12 anos. Era época em que as Spice Girls dominavam o mundo. Lembro que ela era cover da Mel C (justo ela) e eu gostava de acompanhar os ensaios. Também durante essa época fomos ao cinema ver o tão esperado filme. Foi a primeira vez que fui ao cinema sem meus pais, primeira vez que fui ao cinema com uma galerinha. Senti tanto ciúmes naquele dia, ah como senti! Ela dando trela pra um colega nosso, e eu me maltratando por dentro por querer a atenção dela só pra mim. Fiquei tão P#$t@ da vida que depois do filme enquanto eles passeavam pelo shopping, simplesmente sentei e esperei tudo aquilo acabar, pra poder voltar pra casa. Percebi meus excessos e que tinha dado bandeira, por um bom tempo não sai na rua para brincar, resolvi me concentrar em outras coisas e nos outros círculos sociais que eu frequentava: igreja e escola.

9 já falaram

Thais disse...

tbm sempre fui de jogar bola na rua, mas nunca me chamaram de "maria-homem", pelo menos não na minha frente. seu texto está ótimo como sempre. parabéns

fpessoa disse...

Eu gostava de jogar bola com o meu irmao. Alias, eu fazia muitas coisas com ele. Mas eu tenho uma irma,com ela as coisas eram mais tradicionais.
Crianca e terrivel mesmo. Os seus coleguinhas so gritavam de longe algo para incomodar-te. Os meus nao precisavam gritar, eles me chamavam de "machinho" na minha cara.
Eram poucos os meninos e meninas que faziam isso; meu irmao qdo ficava bravo comigo e queria me provocar tbem falava a tal palavra. Acho que passei por essa situacao poucas vezes. Eu ficava sem graca,nao retrucava.
Eu parecia mesmo um menininho qdo estava com o meu mano,mas as coisas foram mudando...
Acho engracado essa historia dos adultos que lembram da primeira paixao da vida deles.Eu nao tive uma paixao de infancia.
Bom fim de semana para ti.

F

Maria disse...

Olá, Priscila!

Nossa, parece que você estava contando a minha infância! Com algumas diferenças, claro. Por exemplo, a amiguinha da pré-escola se chamava Ingrid, tinha um cabelo cheio de cachinhos, mas isso não influenciou minha preferência atual; no futebol, eu era goleira, o que me fazia machucar mais as mãos (cheias de cicatrizes) do que os pés; só tive a primeira "paixãozinha platônica" por um menino aos treze anos.

Ah! Eu também era a Mel C! rsrsrs

Adoro o blog, a coluna do PL e, por indicação sua, baixei e estou adorando o MTV ao vivo do Lulu Santos, obrigada!

Beijo grande!

Gay Alpha disse...

Ótimo isso, menina!!! E essa de ser sempre a tia solteira foi algo... hahaha!!! Mas hoje elas são apenas "elas" e vc, a dona do jogo... hehe!!! Beijos, querida!!!

Luan disse...

eu to pensando e me assustei que tenho vários homens da minha vida...

bjao.

Cris. disse...

Eu li esse post com muito carinho. =) Me identifiquei em várias situações... Ciúme das amiguinhas (mas na época eu nem sabia o que era aquilo), jogar bola na rua, eu até hoje tenho minha coleção de carrinhos de fricção xD. Mas o mais "assutador", é que hoje recebi sms de uma amiga, ht até que se provo o contrario, pela qual eu tenho um tombo, e fiquei pensando.. será?! E sabe o nome dessa amiga? Suelen oO Assim que li Suelen ali en negrito pensei... "Será² um sinal!? oO hehehe... Muito bom o blog, li quase todos os posts antigos.

Escaminha disse...

Tô de cara com esse post.
É a primeira vez que acesso o seu blog e já estou amando.
Parece um relato meu, da minha infância.
Futebol, ser chamada de Maria-Muleque, ter um ciúmes das amiguinhas, amar a Mel C....

É glichê, mas ser cavocarmos lá no fundo, todas passaram por alguma dessas situações!

Alice disse...

Eu gosto do mesmo biotipo, mas porque a primeira menina por quem eu me apaixonei era assim - acho que o padrão se manteve...

anela disse...

Nossa me lembrei da minha amiguinha da pré escola, que era branquinha, loirinha, boquinha rosada que eu sempre queria estar perto dela e ser melhor amiga. Mas diferente de vc eu não mantive um padrão! Adoro as loiras, mas sempre fico com as morenas de olhos claros.

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