27 março 2009

Podcast - DUPA 006

No primeiro podcast de de 2009, o sexto da série, a gente ouve:

Download do Arquivo (32.5MB)
  1. A-ha - Take on Me
  2. Lulu Santos - Sincero
  3. Sara Bareilles - Love Song
  4. Kid Abelha - 3 Garotas na Calçada
  5. Shakira - La Tortura - com participação de Alejandro Sanz
  6. Arnaldo Antunes com participação do Nando Reis - Não vou me adaptar
  7. Luciana Mello - Simples Desejo
  8. Shakira - Si te vas
E fala um pouco sobre o famoso Rebu.... Rebuceteio!

Lembrando que se você não quiser baixar, mas apenas ouvir o podcast, é só aguardar e clicar na figura e desfrutar, ou não!

Não esquece de comentar!

25 março 2009

XXIV Outono

Vou fazer uma pequena pausa na série, uma pausa necessária, até porque os próximos capítulos prometem muitas emoções.

No último dia vinte e dois (é, estou com a mania de escrever números por extenso) ou no último domingo, como você preferir, completei vinte e quatro anos. Vinte e quatro outonos passados nesse lugar chamado Terra.

É estranho completar aniversário no armário. Tudo bem que nunca tinha reparado nisso até então, mas esse ano não tive como não notar.

As comemorações começaram numa balada hétero, com alguns poucos conhecidos, de amigo, amigo mesmo, não tinha ninguém. Baladinha até as 6 da matina, casa, cama e sono.

Ao meio dia Dona José, vulgo: minha mãe, me acorda pra irmos para a casa da matriarca da família, inclusive porque eu tenho a sorte de dividir a data do MEU aniversário com um priminho e outra priminha. O legal é que todos os meus tios lembram do aniversários dos pequenos e esquecem do meu, que teoricamente, é comemorado há mais tempo. Depois de algumas horas de serviços prestados como Babá (eu gosto dos meus primos, adoro brincar, mas não levo jeito pra pegar criança no colo) voltamos a Ferreira's House e ao Ferreira's World, também conhecidos como minha casa e meu quarto.

Como o vício é maior entrei no MSN enquanto me arrumava para a última parte das comemorações, a única coisa que de fato convidei os amigos para realizarem comigo: uma noite no "snooker & videokê", que nada mais é que um barzinho GLS, LGBT, GLBTS, anyway, desta humilde cidade.

Enquanto me arrumava eis que pula a janelinha da Dona Engenheira! Fiquei maravilhada, afinal ela havia tomado a iniciativa de falar teclar comigo. Mas "a vida é caixinha de surpresas" e alegria de pobre dura pouco: Ela entrou para avisar que não iria pois tinha brigado com os pais em casa por conta de comentar que ia sair. Eu entendi, compreendi e fiquei chateada. Não que topasse trocar vários amigos por um amor (um amor que não é amor...). Até porque se for pra ser sincera eu só não quero admitir mas a Brasiliense de São Paulo está em larga vantagem com relação ao resto do mundo. Muita coisa nela me atrai, mas isso não é assunto para hoje.

Ficamos conversando por um bom tempo, até que meu celular resolveu tocar: eram os amigos que já me esperavam. Que cabeça a minha! Me atrasei. Me despedi e parti.

Foi simplesmente fantástico. Ninguém fez bolo surpresa, ninguém comprou bexigas, mas estavam todos num astral tão bom que eu só tenho a agradecer. As pessoas que eu realmente esperava que fossem aparecer não apareceram. Mas tudo bem, ficaram presentes nos pensamentos. Se der na louca depois coloco algumas fotos aqui. Ou não.

Sei que completei vinte e quatro outonos no Dia Mundial da Água. E sei também que hoje me sinto muito mais mulher. Foi estranho perceber que minha melhor amiga, minha irmã Batatinha, compareceu ao evento GLS e não nos outros que eram "héteros". Interpretei isso de diversas formas e uma delas é de que realmente estou mais "pra lá" que "pra cá" faz um tempo já. Não que ache isso legal. Porque o legal mesmo seria não ter nem "lá" nem "cá"...

20 março 2009

As mulheres da minha vida: O primeiro grande trauma

Resolvi dar uma pausa nos estudos para escrever sobre o primeiro trauma na vida dessa que vos tecla. Em verdade eu deveria estar lendo sobre semiologia, significados e significantes. Mas é que o trauma de adolescência foi algo grande e merece ser contado nessa série de posts, posts os quais fazem cair toda e qualquer máscara eu tenha utilizado algum dia.

Aliás aproveito para lembrar vocês de sempre passarem o mouse em cima das palavrinhas vermelhas, afinal são links para que vocês possam entender melhor a minha história.

Sobre o trauma é bom contextualizar vocês sobre algumas coisas: Eu tinha 16 anos, sempre estudei em escola pública. Já tinha meu grupo de amigos formado. Nessa época eu estava deixando de ser nerd e tinha uma certa popularidade na escola. Afinal tinha estudado desde os oito no mesmo local. Passaram professores, diretores, coordenadores e eu fiquei. Nessa época eu também era representante de sala e tesoureira do Grêmio Escolar.

Hoje são poucas as lembranças sobre o acontecido, mas durante muito tempo até o cheiro da Mineira era presente na minha vida: Fechava os olhos e podia sentir com facilidade aquela fragrância.

Das poucas coisas que ainda lembro é que era final de agosto de 2001. Ela veio transferida de escola. Eu estava no segundo colegial, era uma das melhores alunas da sala e meio metida à "mamãe quero ser pop". Ela chegou e sentou na carteira atrás da minha. Se eu não me engano era aula de inglês e o tema era Halloween. Sentou sozinha, afinal não conhecia ninguém. De cara eu já achei bonita. Uma morena alta, com algumas marcas de espinha no rosto. Cabelos escuros e encaracolados. A primeira morena que me chamou atenção. Eu puxei papo, é lógico, até porque se ela iria estudar mesmo na minha sala, uma hora ou outra ela teria que se enturmar, e eu é que não queria ela na turma das patricinhas chatas.

Virei pra trás e puxei papo. Nos dias seguintes a Mara, que fazia dupla comigo, começou a sentar com ela. A Mara sempre foi só amiga tá gente? Mas mesmo assim fiquei com ciuminho. Ela sacou e me passou a vez pra sentar com a Mineira. Fui descobrindo várias coisas sobre ela, sobre a vida que levava. Tinha chegado de Minas, com a família, tinha irmãos... Enfim... Foi uma amizade muito boa, a gente se dava bem, ela era estudiosa e isso me encanta. Encanta até hoje pra falar a verdade. Trocamos as duplas: agora a Mara sentava com a Kátia e eu com a Mineira. Notas boas, boas conversas. Comecei a frequentar a casa dela também. Estudávamos de manhã e eu ainda passava as tardes na casa dela. Eramos grudadas e cheias de carinho uma pela outra. Aquela coisa bem adolescente mesmo: andar de braços dados na escola, sentar sempre perto, consolar nos namoricos que não davam em nada. Nem precisa falar no que deu né? A dona aqui se apaixonou.

Foi uma paixão tão intensa, que não deu pra segurar. Eu tinha que contar, tinha que colocar aquilo pra fora. Nunca tinha me declarado até então. Aguentei o que pude e inocentemente acreditei que ela também gostava de mim. Dona José, minha mãe, até fez lá seus alertas, mas quem disse que adiantou? Quem disse que ouvi quando minha mãe disse que eramos muito grudadas?

De agosto até o final do ano o tempo passou. E passou de uma forma que parecia que a gente se conhecia desde criancinha. Era amiga da família já.

Se eu tivesse ficado quieta teria essa amizade até hoje. Mas eu sou boca aberta. E ansiosa também. Não deu outra: em Dezembro, saindo de casa num fim de tarde, enquanto ia acompanhar a dona Mineira até a casa dela, porque apesar de morarmos no mesmo bairro eu não gostava que a "minha mulher" andasse sozinha por aí.

Peguei a bicicleta e fui empurrando. E conversando como sempre. Da minha casa na casa dela a pé deve dar uns 10 ou 15 minutos. Com cinco minutos de caminhada, eu soltei que gostava dela. Não lembro exatamente como disse, nem que palavras usei. Sei que os outros 10 minutos foram de silêncio. Um silêncio que incomodava.

Já estávamos de férias. Saberia que não iria vê-la pela manhã do dia seguinte.
Voltei pra casa e aí me caiu a ficha do que tinha acontecido, da burrada que eu tinha feito: não bastasse eu me declarar pra uma guria hetero, ela era homofóbica.

Não lembro mais como, nem o porque, mas ela contou pra mãe dela. Que contou pra vizinha, que contou pra igreja toda. Detalhe: Eu ainda era coroinha. Que bela situação hein?

Não preciso dizer que ela me jogou um monte de coisas na cara, né? Que achava tudo aquilo nojento, e que eu tinha me aproveitado da amizade pra dar em cima dela, que ela não esperava isso de mim e bla bla bla.

Não bastasse isso, além de pararmos de nos falar, o que era óbvio, os pais dela ainda mudaram ela de escola no ano seguinte. Me senti O, ênfase no O, O monstro. Afinal eu me sentia um ser tão repugnante que tinha feito outra pessoa mudar de escola.

Eu tinha 16, quase 17 anos. 2001 foi muito bom valeu pelos últimos meses. Mas 2002 foi um saco. Demorei pra levantar e sair dessa. Hoje vejo que quase entrei em depressão naquela época. Além de me sentir mal, não tinha com quem contar, porque ela era amiga também, eu tinha um colo, uma companhia. Emagreci e foi nessa época que minha gastrite deu sinal de vida.

Bem vinda ao mundo real! Eu pensava. Mas nada que o tempo não cure, certo?
Depois desse episódio é que conheci a minha irmã Batatinha. Quando eu a conheci ainda era um pouco triste por causa da Mineira. E nada cura melhor uma velha paixão do que uma paixão nova. O resto da história eu já contei.

Não sei exatamente a passagem de tempo. Misturo muita coisa. Vou contando conforme vou lembrando. E essa época pra mim é uma época cheia de recordações. Ainda falo com a Mara, mas é algo de uma vez ao ano. Hoje ela é também uma das amigas hetero que sabem de mim.

O terceiro colegial foi muito bom. Me libertei do estigma de nerd. Comecei a mudar algumas coisas. Saudade dessa época até hoje. Paralelo a isso tudo eu sempre tinha meus casinhos com alguns meninos, mas nada que durasse muito tempo.

19 março 2009

As mulheres da minha vida: Adolescência

No meu último relato falei sobre a infância e comecei a falar sobre uma parte bem importante nessa série de posts: a Adolescência. Afinal com treze anos já se é uma adolescente.

Eu sempre fui sossegada. Muito sossegada mesmo, tanto que postei isso num dos memes que participei que nunca cheguei aos "finalmentes" com o sexo masculino, mesmo morrendo de curiosidade. Mesmo o tão saudoso primeiro beijo demorou pra rolar, até porque eu tinha medo da minha mãe. Por conta disso meu interesse em relacionamentos estáveis veio bem tarde, se formos comparar com as menininhas de hoje em dia.

Mas o fato de não querer me relacionar não quer dizer que não tenha sentido nada. O fato é que eu já meio que sacava que era "diferente" e minhas "paixões" até então não dariam em nada. Mas mesmo sabendo que jamais minhas amigas iriam sentir algo parecido por mim eu me apaixonei por diversas vezes nesse período em quem os hormônios costumam ficar à flor da pele.

Tudo bem que meus hormônios também demoraram para aparecer de fato, afinal minha menarca - primeira menstruação - também só deu sinal de vida quando eu tinha uns 16 quase 17 anos. Mas mesmo antes disso eu "amei" outras meninas.

A colega de classe da sétima série, Daniela, hoje casada com um japonês feio, de quem não tenho mais notícias faz tempo foi a primeira que gerou comentários dos amigos. Tanto gerou que uma vez ela me perguntou, eu de maneira óbvia, neguei, disse que era apenas uma amizade mais profunda. Tudo bem que no fundo eu me mordia de ciúmes, e comecei a dar bandeira disso.

Passado o primeiro susto, vieram as paixonites com as meninas que conheci na Igreja. E não me faça cara feia, e sim, eu gostava de frequentar a Igreja, fui coroinha por um bom tempo, tanto que sinto falta disso até hoje, mas por motivos que não cabem neste post eu não frequento mais. Desse meio religioso frutificaram duas grandes paixões, uma declarada e outra implícita. Por ironia do destino a "paixão declarada" hoje é minha melhor amiga, é minha irmã de coração, minha irmã de pais diferentes. A gente se conheceu na Igreja, mas começamos a nos falar mais foi na escola. Ela um ano mais nova e uma cabeça um tanto quanto diferente. Assim como tantas outras vezes de uma grande amizade surgiu um sentimento que não cabia ali. E sinceramente? Que bom que não rolou nada. Minha irmã é hetero, acha que eu ainda tenho "salvação" e que um dia largo dessa vida. O fato dela achar isso não impede que ela me respeite. E me respeitando, e me querendo bem como irmã também, tantas vezes me viu chorar por outra mulher, me deu seu colo, me cedeu sua família. Cedeu tanto a família que acabei ficando com os dois irmãos dela (não ao mesmo tempo ok?).

A Batatinha - apelido carinhoso - foi uma importante paixão. Uma paixão que virou amor. Amor fraternal, mais bonito que todos os outros, mais puro e sincero também. Ela é hoje uma das poucas mulheres a quem tenho certeza que amo.

Antes da minha irmã Batatinha, houve uma outra paixão também do meio religioso. Ela era coroinha também. E apesar de mais nova muito mais madura que eu. Sempre convivemos muito, eu frequentava a casa dela semanalmente. Boas conversas. A Coroinha também faz o meu biotipo favorito, apesar de não ser baixinha ela carregava cabelos castanhos, hoje loiros, e tem a pele alva como uma nuvem. Pra ela eu não me declarei. Me afastei quando vi que não domaria o espírito de mulher guerreira, de mulher que não abaixa a cabeça por nada. Espírito que admiro até hoje nela. Também virou outra grande amiga. Hoje ela é mãe de um menino lindo e também sabe de mim.

Minha adolescência teve outro "grande amor" pra fechar com chave de ouro. Ou não. Mas esse caso merece um post só pra ele.

13 março 2009

As mulheres da minha vida: A Infância

Continuando a série: "As Mulheres da Minha Vida" hoje vou falar sobre o começo das relações com mulheres que não era da família, sobre as primeiras amizades e sobre as primeiras olhadas - mesmo que inocentes - nas meninas com quem cresci.

Eu tinha uns 6 anos de idade quando pela primeira vez achei alguma menina bonita e a partir disso alimentei um desejo de ser muito amiga dela, estar sempre por perto, poder estar junto e concomitantemente sentir um certo ciúmes dos meninos que faziam graça com ela. Acho que desde essa época já tinha um padrão definido do tipo de mulher que hoje eu gosto/prefiro: Pele bem alva, cabelos negros ou castanhos e lábios rosados. Romântico demais? Não sei, mas até hoje me pego reparando nesse biotipo e suspirando.

Quem foi a primeira a ser olhada? Uma menina cujo nome lembro até hoje: Suelen. Estudávamos na mesma sala na Pré-Escola. Quando fui para o Primeiro ano do Ciclo Básico - é, naquela época era assim que chamava o Ensino Fundamental - até esperava que fossemos cair na mesma sala, mas acabamos sepradas: ela numa escola municipal e eu em uma estadual, que era mas próxima de casa. Foi o fim dos lanches divididos na hora do recreio, das brincadeiras na gangorra, da diversão regada a muita areia no playground da escola. Paralelo a isso eu mantinha uma paixão platônica pelo Loirinho Bonitinho que também estudava comigo, mas ele sempre fugia, acho que el gostava de outra menina da minha sala. Deve ter sido meu primeiro fora e às vezes acho que isso influenciou no meu futuro, afinal era mais fácil manter minhas amiguinhas do que conquistar os menininhos.

E assim eu fui crescendo: alimentando um ciúmes pelas minhas amigas mais próximas. Na primeira série tentava protege-las nas brincadeiras, arrumei briga umas poucas vezes com os meninos que ficavam com brincadeiras sem graça pra cima delas. Era praticamente um "irmão" mais velho com ciúmes das pequenas, muito embora eu fosse a que tivesse a menor estatura.

Nas brincadeiras de casinha, escolinha e outros inhas eu era sempre a tia solteira. Sempre achava que na família não tinha só a mamãe e a vovó, tinha também as tias. E se brincar era "fazer de conta", porque não encarnar o papel de pai às vezes? Já que os meninos não topavam participar dessas brincadeiras "de menina".

Durante boa parte da minha vida fui agraciada por ter excelentes vizinhos, fomos uma geração que cresceu junto. De 10 a 20 crianças se contarmos os amiguinhos da rua de trás. Não brinquei só de boneca, escolinha e casinha. Na verdade sempre gostei mais de brincar com os moleques, principalmente no tocante a jogar futebol. Clichê para uma lésbica? Talvez. Sei que perdi a unha do dedão do pé diversas vezes por chutar o asfalto. Sei que alguns dos meninos passavam em frente a minha casa e gritavam "Maria-Homê". E eu ligava? Não. Continuava brincando com os dois lados: os meninos e as meninas.

Dessas amizades, das meninas com quem cresci brincando na rua, teve uma que também foi minha "paixãozinha platônica", também no mesmo perfil: branquinha de cabelos negros. Nessa época eu já deveria ter meus 11 ou 12 anos. Era época em que as Spice Girls dominavam o mundo. Lembro que ela era cover da Mel C (justo ela) e eu gostava de acompanhar os ensaios. Também durante essa época fomos ao cinema ver o tão esperado filme. Foi a primeira vez que fui ao cinema sem meus pais, primeira vez que fui ao cinema com uma galerinha. Senti tanto ciúmes naquele dia, ah como senti! Ela dando trela pra um colega nosso, e eu me maltratando por dentro por querer a atenção dela só pra mim. Fiquei tão P#$t@ da vida que depois do filme enquanto eles passeavam pelo shopping, simplesmente sentei e esperei tudo aquilo acabar, pra poder voltar pra casa. Percebi meus excessos e que tinha dado bandeira, por um bom tempo não sai na rua para brincar, resolvi me concentrar em outras coisas e nos outros círculos sociais que eu frequentava: igreja e escola.

10 março 2009

As mulheres da minha vida: O início

Para que vocês possam me conhecer melhor e entender como funciona o coração dessa Pós Adolescente que vos escreve, começo hoje a série "As Mulheres da Minha Vida", onde pretendo contar um pouco de como comecei a gostar de meninas, como foi o primeiro beijo, o primeiro relacionamento, as meninas com quem me envolvo e os problemas em que eu me meto, enfim um pouco sobre cada mulher que passou, fez ou faz parte da minha vida.

A primeira mulher da minha vida é minha mãe - e se você pensar besteira vai cair um raio na sua cabeça, sou amiga de São Pedro e ele costuma me atender - "Mamis" é a primeira mulher na vida de todo mundo. Muito do que eu sou hoje é fruto das coisas que Dona José (apelido carinhoso) me proporciou - ou não - durante meu desenvolvimento.

Não sei se tenho muitas recordações de quando eu era menor mais nova, não sei se o que eu lembro é muito ou pouco. Lembro de algumas broncas, de puxões de orelha, dela me levando para cortar cabelo no mesmo salão que ela, lembro de alguns passeios juntas.

Nunca esqueço de quando ela dava aulas numa escola perto de casa e às sextas eu a acompanhava na escola, assistia as aulas de uma turma mais velha que a minha. Minha mãe sempre alimentou meu gosto pela leitura, gosto criado pelo meu pai. Sempre que podia ela trazia um livro da Coleção Vagalume. Foi graças a ela que nessa mesma época eu desfilei num Sete de Setembro aqui na minha cidade.

Minha mãe teve fases de ser presente e outras em que era ausente. Quando eu tinha uns 6 anos, ela estava no Magistério. Eu chegava da Pré-Escola e passava a tarde com a vizinha. Quando ela voltava passava e me pegava para voltarmos para casa. Como eu acordava cedo, não tinhamos muito tempo. E não lembro de conversar muito com ela nessa época.

Depois que ela terminou o Magistério ela começou a faculdade. Nessa época eu já estava um pouco maior, o que permitia com que eu ficasse sozinha durante a noite em casa. Foi a época que eu mais aprontei, porque eu sabia mais ou menos o horário que ela voltava e meu pai também trabalhava durante a noite. Nessa época eu brincava com fogo direto. Por sorte nunca me queimei.

O tempo foi passando. Eu sempre tive vergonha ou medo de falar das coisas que eu sentia com ela. Admiro quem conta tudo para a mãe, quem vê nela uma amiga, uma confidente, acho que se tivéssemos conversado mais no começo da minha adolescência talvez hoje eu não estivesse no armário ou não teríamos tido alguns desentendimentos anos mais tarde. Lembro que uma das poucas vezes que falei de sentimentos com ela foi quando eu tinha uns 13 ou 14 anos e um amigo tinha pedido para "ficar" comigo. A tonta aqui era tão inocente e tinha tanto medo de fazer algo errado ou escondido e depois a mãe descobrir que foi perguntar para Dona José se poderia "ficar" com o Loirinho Bonitinho. Acabou que minha mãe me disse que eu era muito nova, dizendo que eu não tinha idade e todo um bla bla bla. Quem disse que eu fiquei? Isso só fez com que eu fosse dar meu primeiro beijo aos dezesseis, o que de certa forma foi bom.

Eu cresci e comecei a pensar pela minha própria cabecinha dura. Nessa época começaram os primeiros dos muitos desentendimentos que tive com a "Véia" (apelido carinhoso também). Nunca me envolvi com drogas, nunca até então era de frequentar baladas, nunca fui de fumar, não era de beber, não tirava notas ruins (muito pelo contrário: carreguei stigma de nerd/cdf durante muito tempo), frequentava a igreja, participava ativamente de movimentos religiosos, resumindo: não dava trabalho. Acho que justamente por isso eu tinha que ter algum defeito. Não virei rebelde sem causa, mas comecei a dizer o que pensava, daí para rolarem desentendimentos não foi um longo caminho. Dos meus 18 até a presente data rolou muita briga, muuuuita mesmo. Já ficamos sem nos falar, já nos reconciliamos, já brigamos de novo, já saímos no tapa, já quis sair de casa, já nos ofendemos, só não nos matamos.

Apesar de tudo eu a amo. E acho que por esse mesmo motivo às vezes acho que é melhor quando estamos longe, porque aí a chance de brigarmos diminui.

Ela sabe da minha orientação sexual, apesar de não ter ouvido isso da minha boca ainda. E sei lá como vai ser daqui pra frente. Muitas vezes penso que procuro em outras mulheres o colo e o carinho que eu queria receber dela, em outras vezes acho que isso não tem nada a ver. Vai saber...

06 março 2009

Recordações

Tem horas que não tem como evitar, por mais que você não queira você sempre lembra de algo que te deixa meio pensativa. Pensativa e consequentemente meio pra baixo. Não que a lembrança em si seja ruim, mas ruim mesmo é perceber que hoje e agora neste exato momento é só uma lembrança, só algo que ficou para trás.

Vazio no peito e um sorriso amarelo.

O lado bom é ver que você tem uma história pra contar.
Voltar para o passado? Não não. Caminhar para frente é sempre melhor que passar de novo pelos mesmos apuros. Até porque como eu disse outro dia: de certa forma a gente não muda.

Amplexos!

04 março 2009

Conversas com a senhora minha mãe

Estou sem carro, o que faz com que além de ter minha vida social reduzida, eu fique com uma preguiça quase do tamanho do mundo. Até aí tudo bem, não ligo de ficar em casa ou pegar ônibus quando sei que não voltar cheia de trombolhos e sacolar para casa.

Acontece que domingo eu precisava comprar alguns produtos indispensáveis para uma mulher, aliás, não só para uma mulher mas para todo mundo que zela pelo bem estar da nação: desodorante, shampoo e outras coisas de higiene pessoal. Se eu estivesse com o carro faria a via-sacra de ir até o hipermercados sozinha e ainda iria comprar algo alcoólico para tomar em casa. Mas como o Fred Fred (é eu coloco nome nas minhas coisas, algo contra?) não está nem dando partida (bateria arriou) eu teria que rumar de ônibus. Pra não ir só chamei minha mãe e lá fomos nós de ônibus para o hipermercado. O lugar não é longe, a distância deve dar de dez a quinze minutos.

Como sempre minha mãe começou a me alfinetar com o assunto grana, dizendo que eu gasto demais (mal sabe ela do estado vermelho do meu saldo) e que eu não faço nada e bla bla bla whiskas sachê.

Na volta eu sei lá porque o assunto caiu em relacionamentos, acho que porque vimos o ex-namorado de uma amiga minha com outra no shopping. Eu comentei que prefiro ficar só a ficar mal acompanhada e que não faço a menor questão de casar. Aí a véia (apelido carinhoso ok?) me solta que sabe muito bem porque eu não vou casar.

Lógico que eu fiquei curiosa e lógico que eu perguntei o porque. Enquanto o elevador de casa não chegava ela responde curta e grossa:

- Eu sei que seu negócio é outro...
- Como assim mãe?
- É, você não gosta de homem.
- E você me ama mesmo assim? - eu com a maior cara de paisagem possível...
- Eu não aceito e nunca vou aceitar...
- Ai ai mãe...

Nisso o elevador chega. Subimos em silêncio. Eu meio que rindo... Pois é, rindo...
No fundo minha já sabe. Já sabe de tudo, sabe até que já namorei e já sofri por outras mulheres. Só que eu acredito piamente que não tem porque ela ouvir isso da minha boca por enquanto.

Eu sei que quando eu disser, quando confirmar tudo, ela vai ficar um bom tempo sem falar comigo. Vai passar depois? Vai, aliás eu acredito e espero que sim, mas agora ainda não é o momento.

Enquanto isso me resta rir. E ver que minha mãe apesar de tudo, de boba não tem nada. E que apesar de todas as nossas diferenças, brigas e discussões a gente meio que se dá bem, de um jeito torto, mas se dá bem...

Amplexos!

02 março 2009

Parte 2: Uma conversa que vale a pena

Eu sempre fui a favor de jogo limpo e aberto, a favor da sinceridade. Sempre fui a favor de colocar pingo no i, til no coração, n no não e cedilha na moça. Não sei se por isso escolhi a Comunicação Social como profissão: comunicar é preciso, é necessário. Por essas e outras adoro boas conversas, sejam conversas para passarmos o tempo, sejam conversas esclarecedoras.

Sábado tive uma boa conversa. Conversa do tipo esclarecedora. Gosto tanto disso, que mesmo que o resultado seja ruim eu fico feliz com a conversa, fico leve e fico livre, porque conversas sinceras e objetivas, com o objetivo de colocar o pingo no i me dispensam do tedioso trabalho/tortura de ficar pensando demais, imaginando coisas e hipóteses demais.

Eis o capítulo, conforme o prometido:
Sábado a tarde eu na faculdade, enrolando antes de ir comer algo. Entro no Messenger e encontro a Dona Engenheira online, papo vai, papo vem, a gente entra no assunto relacionamentos, dou poucas alfinetadas, mas por incrível que pareça a sempre tão quieta Dona Engenheira mostrou-se prestativa e comunicativa, falou até mais do que eu esperava. Nessas ela disse algo que há muito eu já sabia: para o meu azar (e o deleite de vocês) eu e ela somos só uma wannabe amizade.

No fundo eu já sabia. E sabia por N motivos. E no fundo eu só queria que ela fosse sincera e adulta o suficiente para me dar um fora. Não que ela tenha sido grossa ou coisa parecida. Mas eu não sou mais criança, só queria que ela entedesse isso: que tomar um fora faz parte da vida. Ainda mais quando a gente já espera pelo pior. Não foi o primeiro nem vai ser o último. Aliás a vida é assim: o não eu já tenho. Me resta ir buscar e surpreender-me com o sim.

Foi tão boa a conversa que apesar de tudo estou mais feliz e mais leve.
Agora é viver a vida. Por que o que a gente leva da vida é a vida que a gente leva e nada mais.
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